Laxista (tolerante),
restritiva,
permissiva (minimiza as normas morais),
antitecnológica,
afetiva
e
“mediativa”
são seis os modelos de família (em relação aos consumos mediáticos
dos filhos) evidenciados num estudo de 2017 publicado em Itália sobre “Media
digital e social, educação e família”.
A família laxista e a permissiva não mediam a relação dos filhos com as tecnologias digitais; já a
família antitecnológica exerce a mediação na opção extrema de expulsar os
medias do universo familiar (pensando desta forma não ter de exercitar qualquer
tipo de mediação), explica o estudo.
Por seu lado, a família restritiva tem um alto
nível de controlo (os pais leem os “emails” recebidos pelos filhos, obrigam-nos
a navegar na Internet só em casa, verificam as páginas que visitaram) mas um
baixo nível de educação. E a família afetiva encoraja os filhos a usar os mmeios digitais
e partilha com eles o consumo, mas não lhes fornece instrumentos para se
tornarem utilizadores críticos.
A única família que parece centrar os objetivos educativos
de maneira eficaz é a família “mediativa”. Como? «Está fortemente presente no
trabalho de mediação das práticas dos filhos. Os pais debatem com eles, indicam
o que está bem e o que está mal, explicam-lhes as razões, ajudam-nos a
desmontar os conteúdos e a ler o fundo deles. Assim fazendo ajudam-nos a
elaborar um pensamento crítico».
Novos desafios para os pais na era digital
De acordo com uma investigação da Universidade
de Navarra com cerca de 25 mil adolescentes, citada no estudo, 36 % dos pais não
aplica qualquer controlo sobre o uso dos meios de comunicação digitais por
parte dos filhos, enquanto que 27 % se limita «a dar uma olhadela ao que fazem
os menores na Internet».
Se sois pais e a revolução digital está a
dificultar a vossa vida (já suficientemente preocupada), sabei que a culpa não
é só vossa. Tudo aquilo que se pensava ter compreendido sobre a gestão da
relação entre os filhos e os medias foi arruinado com o digital. Sobretudo por
dois motivos.
O primeiro está ligado à mobilidade. Na prática: «Mesmo se se controla o acesso aos medias dentro da família, isso não serve para evitar que, noutro qualquer momento ou lugar, os filhos não façam o uso que querem, subtraindo-se ao olhar dos pais».
O primeiro está ligado à mobilidade. Na prática: «Mesmo se se controla o acesso aos medias dentro da família, isso não serve para evitar que, noutro qualquer momento ou lugar, os filhos não façam o uso que querem, subtraindo-se ao olhar dos pais».
Segundo motivo: os pais não têm agora de se
preocupar só «com a qualidade dos conteúdos que os filhos consultam, mas também
com o que os filhos poderão publicar do foro privado e pessoal na Internet e
redes sociais, bem como com ações inapropriadas de que se podem tornar
protagonistas ao usar os medias digitais».
O estudo desmonta alguns mitos
Um deles é que «a comunicação “verdadeira” é a que ocorre cara a cara, e que a comunicação mediada pela tecnologia só tem a função de um vulgar sucedâneo.»
Um deles é que «a comunicação “verdadeira” é a que ocorre cara a cara, e que a comunicação mediada pela tecnologia só tem a função de um vulgar sucedâneo.»
Muitas vezes os pais têm medo de que a revolução dos meios
digitais tire espaço e qualidade à comunicação cara a cara. Para Rivoltella «é
preciso limpar o terreno do equívoco segundo o qual os jovens comunicam menos
atualmente.
De acordo com o que o “Stanford Study of Writing” sugere, os jovens de hoje leem e escrevem mais do que nos anos 1980 e 1990. É verdade que não leem a grande literatura nem escrevem ensaios ou cartas: leem e escrevem em larga medida nas redes sociais e manifestam também competências específicas que podem tornar-se úteis na vida profissional, como, por exemplo, a capacidade de síntese».
De acordo com o que o “Stanford Study of Writing” sugere, os jovens de hoje leem e escrevem mais do que nos anos 1980 e 1990. É verdade que não leem a grande literatura nem escrevem ensaios ou cartas: leem e escrevem em larga medida nas redes sociais e manifestam também competências específicas que podem tornar-se úteis na vida profissional, como, por exemplo, a capacidade de síntese».
Um equívoco análogo diz respeito à ideia de que
os jovens “estão sempre nas redes sociais” e que, consequentemente, têm menos
tempo para falar. «O verdadeiro problema não é o facto de os jovens comunicarem
hoje menos por culpa dos medias digitais, mas é precisamente o contrário, ou
seja, comunicam em demasia graças aos medias digitais. Estes não tiram tempo à
relação (os jovens veem-se na escola, encontram-se), mas acrescentam-na; e
assim está-se sempre em contacto, de dia e de noite, sem solução de
continuidade. Além disso, a falta de silêncio que deriva deste comportamento
subtrai aos jovens a possibilidade de deter a atenção sobre questões que
verdadeiramente vale a pena debater.»
O estudo desmonta também outro mito: «Que a
comunicação “verdadeira” é a que ocorre cara a cara, e que a comunicação
mediada pela tecnologia só tem a função de um vulgar sucedâneo. Com efeito, o
facto de muitas vezes os mais jovens comunicarem através das redes sociais e
dos seus aplicativos não implica que sejam capazes de relações autênticas. A
comunicação digital está ao lado e integra-se com a que se faz presencialmente,
nunca a substitui».
Que pais sois/que pais tens?
1 - Família restritiva: Alto nível de controlo
dos pais (que leem “emails” e mensagens dos filhos, controlam a navegação na
Internet) mas baixo nível de educação.
2 – Família permissiva: Caracterizada por um
baixo nível de educação e baixo nível de controlo (os pais deixam os filhos à
vontade, não colocam problema).
3 – Família afetiva: Os pais controlam pouco o
que fazem os filhos no ambiente digital mas têm um alto nível de presença
educativa, que se manifesta através da ajuda constante nos desafios do filho, a
partilha do consumo, a forte convivialidade.
4 – Família antitecnológica: Pouco frequente, é
a família que elimina os medias do universo familiar, adiando “sine die” o
momento da compra do primeiro “smartphone” aos filhos. A atitute de controlo
neste caso é levada às consequências extremas, até ao ponto de configurar
verdadeiras formas de iconoclastia.
5 – Família laxista: Igualmente não muito
representada, não vê como é que os medias digitais e sociais representam um
problema educativo. Confia que os filhos estejam suficientemente preparados
para serem bem sucedidos na questão.
6 – Família “mediativa”: Em relação à família
afetiva, este modelo é muito mais atento às práticas dos filhos, sobretudo no
desenvolvimento do seu pensamento crítico.
Gigio Rancilio, em Avvenire

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