Cardeal Walter Kasper, uma no cravo, outra na ferradura: «Se os bispos pedissem padres casados, o papa o aceitaria», todavia...


cardeal Walter Kasper, presidente emérito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, descartou por completo a ordenação das mulheres, – porque ao adotá-la a Igreja se situaria fora de uma tradição milenária que reserva o sacerdócio apenas para os homens, – mas ao mesmo tempo abriu a porta para a ordenação dos homens casados.

«Com base no Novo Testamento, há uma tradição ininterrupta não só na Igreja Católica, mas em todas as igrejas do primeiro milénio, segundo a qual a ordenação e consagração estão reservadas apenas aos homens», disse Kasper ao jornal Frankfurter Rundschau, segundo registado pela página dos bispos alemães, katholisch.de.

Todavia, ainda há coisas que a Igreja pode fazer e deve fazer para reconhecer o contributo das mulheres, sem o qual qualquer diocese ou paróquia «entraria em colapso amanhã», enfatizou Kasper.

«Eu acho mais importante que hoje as mulheres – assistentes pastorais e ministras, ministras da eucaristia e professoras, na Cáritas e na catequese, na teologia e na administração – façam agora dez vezes mais do que faziam as diaconisas», observou o cardeal alemão, que considerou «importante» que se visibilize este serviço e que seja reconhecido publicamente.

«O celibato não é um dogma»
Em relação à ordenação dos homens casados, o cardeal Walter Kasper diferenciou a tradição do celibato obrigatório que, ao contrário do sacerdócio masculino, é uma mera disciplina que Igreja adotou, que o papa pode alterar, e isso talvez logo depois do Sínodo para a Amazónia, em outubro deste ano.

«Se os bispos concordarem, por consentimento mútuo, em ordenar homens casados – os chamados  viri probati – no meu entender, o papa o aceitaria», explicou Kasper, uma vez que «o celibato […] não é um dogma, não é uma prática inalterável».

Todavia...
Kasper deixou a sua opinião: «Sou pessoalmente sou muito a favor de manter o celibato como modo de vida obrigatório com um compromisso integral à causa de Jesus Cristo, mas isso não exclui que um homem casado possa desempenhar um serviço sacerdotal em situações especiais»,  concluiu o cardeal.

Comentários

  1. Realmente em relação aos viri probati é uma no cravo, outra na ferradura. Mas uma coisa é certa, penso que a nossa sociedade não está preparada para ter padres casados. Basta olharmos para o caso dos diáconos permanentes. A nossa sociedade fala muito em casamento dos padres, no entanto, resta saber se temos muitas moças preparadas para casarem com um padre, isto tendo em conta a mentalidade, a liturgia, e até mesmo a pastoral em torno do padre. Em relação às comunidades, estas nem sempre aceitam os diáconos permanentes e como seria com o padre casado? Depois temos o cuidado, a educação dos filhos. Isto de ser filho de um padre, poderia tornar-se num peso. Depois teríamos o problema dos outros padres, os que não teriam condições para se poderem casar: a idade, a mudança da lei eclesiástica em que uns poderiam, outros não poderiam; a situação económica para sustentar a família. Temos padres que para terem o equivalente ao salário mínimo têm de acumular com várias paróquias... A Igreja teria de "exigir" um maior contributo monetário ao seu povo, pelo que vemos as ofertas às igrejas, santuários e não só estão a diminuir bastante. O padre casado teria de ter em muitos casos uma segunda profissão. É muito bonito falar em casamento dos padres, mas depois temos a realidade...

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