No caminho de Jesus, a escolha é entre «ser cristãos do bem-estar» ou «cristãos que seguem Jesus», disse o Papa Francisco numa homilia em Santa Marta. E explicou:
«Os cristãos do bem-estar são os que pensam que têm tudo se tiverem a Igreja, os sacramentos, os santos...»
«Os outros são cristãos que seguem Jesus até ao fim, até à humilhação da cruz, e suportam serenamente tal humilhação.»
Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 9, 51-62)
Indo Jesus a caminho de Jerusalém, alguém disse-Lhe:
«Seguir-Te-ei para onde quer que fores».
Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça».
Depois disse a outro: «Segue-Me».
Ele respondeu: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai». Disse-lhe Jesus: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu, vai anunciar o reino de Deus».
Disse-Lhe ainda outro: «Seguir-Te-ei, Senhor; mas deixa-me ir primeiro despedir-me da minha família».
Jesus respondeu-lhe: «Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus».
Palavra da salvação
Só segue quem conhece
O Santo Padre recordou que só segue Jesus quem O conhece de alguma maneira. E lembrou diversos modos para conhecer Jesus: «com a inteligência, com o catecismo, com a oração e no seguimento».
Disse, em continuação, que a pergunta «Vós quem dizeis que eu sou?» dirigida aos apóstolos «é dirigida também a nós neste momento, no qual o Senhor está no meio de nós, nesta celebração, na sua Palavra, na Eucaristia. E hoje a cada um de nós Ele pergunta: Mas para ti quem sou? O dono desta empresa? Um bom profeta? Um bom mestre? Uma pessoa que te faz bem ao coração? Que caminha contigo na vida, que te ajuda a ir em frente, a ser melhor? Sim, tudo isto é verdade mas não é tudo» porque «foi o Espírito Santo que tocou o coração de Pedro e lhe fez dizer quem era Jesus: És o Cristo, o Filho do Deus vivo».
«Quem de nós», prosseguiu o Pontífice na sua explicação, «na própria oração, olhando o tabernáculo, diz ao Senhor: tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo» deve saber duas coisas:
- A primeira é que «não o pode dizer sozinho: deve ser o Espírito Santo quem o diz nele».
- A segunda é que se deve preparar «porque ele te responderá».
E neste ponto o Santo Padre deteve-se na descrição de diversas atitudes que um cristão pode assumir:
- quem o seguirá até a um certo ponto
- quem diz que o seguirá até ao fim
«O perigo que corremos», advertiu, é ceder «à tentação do bem-estar espiritual», isto é, de pensar que temos tudo: a Igreja, Jesus Cristo, os sacramentos, Nossa Senhora e, portanto, já nada devemos procurar. Se pensarmos assim «somos bons, todos, porque pelo menos devemos pensar nisto; se pensarmos o contrário é pecado».
Mas isto «não basta. O bem-estar espiritual» – explicou o Papa – «existe até a um certo ponto». O que falta para ser cristão verdadeiramente é «a unção da cruz, a unção da humilhação. Ele humilhou-Se a si mesmo até à morte e à morte de cruz.
Este é o termo de comparação, a verificação da nossa realidade cristã: Sou um cristão de cultura do bem-estar ou sou um cristão que acompanha o Senhor até à cruz?
Para compreender se somos os que acompanham Jesus até à cruz, o sinal justo «é a capacidade de suportar as humilhações. O cristão que não concordar com este programa do Senhor é um cristão na metade do caminho; um tíbio. É bom, realiza coisas boas» mas continua a não suportar as humilhações e a perguntar-se «por que àquele sim e a mim não? A humilhação a mim não.»
«Todos queremos que se realize a última parte da vida de Jesus. Todos queremos ressuscitar ao terceiro dia. É bom, é bom, devemos querer isto», refletiu Francisco.
«Mas nem todos, para alcançar o objectivo, estão dispostos a seguir este caminho, o caminho de Jesus: pensam que seja um escândalo se lhes fazem algo que julgam uma afronta e se lamentam por isso.»
Portanto, concluiu o Papa Francisco, o sinal para entender «se um cristão é verdadeiramente cristão» é «a sua capacidade de suportar com alegria e paciência as humilhações».

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