11 maneiras de entender o Advento, completando a frase «tempo de...» - poema do Cardeal Tolentino Mendonça
Advento, tempo de espera...
... não apenas de um dia, mas daquilo
que os dias,
todos os dias, de forma silenciosa,
transportam: a Vida, o mistério apaixonante da Vida que em Jesus de Nazaré
principiou.
Advento, tempo de redescobrir a novidade
escondida em palavras tão frágeis como "nascimento",
"criança", "rebento".
Advento, tempo de escutar a esperança
dos profetas de todos os tempos.
Advento, tempo de preparar, mais do que
consumir.
Advento, tempo de repartir a vida, mais
do que distribuir embrulhos.
Advento, tempo de procura, de
inconformismo,
até de imaginação, para que o amor, o
bem, a beleza
possam ser realidades e não apenas
desejos para escrever num cartão.
Advento, tempo de dar tempo a coisas,
talvez, esquecidas:
acender uma vela; sorrir a um anjo;
dizer o quanto precisamos dos outros, sem vergonha de parecermos piegas.
Advento, tempo de se perguntar: "há
quantos anos, há quantos longos meses desisti de renascer?"
Advento, tempo de rezarmos à maneira de
um regato que, em vez de correr, escorre limpidamente.
Advento, tempo de abrir janelas na noite
do sofrimento, da solidão, das dificuldades e sentir-se prometido às estrelas,
não ao escuro.
Advento, tempo para contemplar o
infinito na história, o inesperado no rotineiro, o divino no humano, porque o
rosto de um Homem nos devolveu o rosto de Deus.
Cardeal José Tolentino Mendonça, em snpcultura.org

Estai preparados com as lampadas acesas para a vinda do SENHOR.
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