«Jesus chamou os que Ele queria, para estarem com Ele e para os enviar a evangelizar» - Sugestões para a catequese com adolescentes sobre a Vida Consagrada

«Consagrados para Evangelizar» é o tema da Semana da Vida Consagrada, 26 de janeiro a 2 de fevereiro 2020.

Consagração e evangelização tem a sua fundamentação no relato que o evangelista São Marcos faz da escolha dos Doze (Mc 3, 13-19): «Jesus subiu depois a um monte, chamou os que Ele queria e foram ter com Ele. Estabeleceu doze para estarem com Ele e para os enviar a pregar, com o poder de expulsar demónios.» (Mc 3, 13-15)

Material necessário para a sessão de catequese
Cordas para atar os tornozelos de cada participante
Obstáculos para o caminho
Chocolate ou outro “prémio”
Bíblias ou cópias do texto de Mc 3, 13-19
Imagem de Jesus
Cópias da oração prevista na expressão de fé
Canção final sobre missão

Experiência humana
O catequista convida os participantes para um jogo de obstáculos. Coloca todo o grupo numa linha de partida e indica uma meta onde todos devem chegar. Promete um bom prémio ao vencedor: chocolates ou algo não muito caro, mas que seja apreciado e desejado pelos participantes.

No meio do percurso estão vários obstáculos: cadeiras, mesas… Depende da criatividade do catequista criar obstáculos adequadamente difíceis para o grupo. Mas os participantes devem fazer o percurso com os dois tornozelos atados um ao outro (o que obriga a dar pequenos passos e favorece os desequilíbrios) e com as mãos nos joelhos trocados (mão direita no joelho esquerdo e vice-versa).

O papel do catequista durante o jogo é acicatar a competição, sempre no cumprimento das regras. Mesmo que haja um vencedor, o catequista incentiva os outros a terminar o percurso.

Dialogar sobre a experiência feita
Depois de todos terem feito o seu percurso, convida todos a sentarem-se, a desatar o fio que lhes atava os tornozelos, a acalmar, e a dialogar sobre a experiência feita, por exemplo:

+ As maiores dificuldades;
+ O que sentiste durante o percurso;
+ Como é que reagiste aos obstáculos;
+ O que é que sentiste ao vencer o prémio (ou ao perder o prémio)

Anúncio e reflexão da Palavra de Deus
O catequista motiva a este momento de escuta da Palavra: “Este texto que vamos escutar é do Evangelho. Fala-nos do que sucedeu com Jesus. E já sabemos que quando lemos o Evangelho também nós estamos lá metidos.”

O catequista convida um leitor a ler o texto de Marcos 3, 13-19. Seria bom que todos tivessem acesso ao texto nas suas bíblias, em fotocópias ou projectado de alguma forma.

Depois de todos escutarem o texto, o catequista pede ao grupo que resuma e reconstitua o texto:
+ Quais são os personagens? (Jesus, os Doze)
+ O que fazem? (Jesus sobe ao monte; chama os 12…)

A seguir, o catequista pergunta ao grupo que identifique as semelhanças e diferenças entre este texto do Evangelho e o jogo que fizeram antes. Este pedido pode parecer estranho a alguns catequizandos menos sensíveis aos elementos simbólicos. Sem explicar nem dar respostas claras, o catequista estimula o grupo a fazer essa descoberta:

Semelhanças:
+ Há um movimento para ir ter com Jesus e um movimento para a meta do jogo;
+ Há algo a ganhar (o chocolate, a companhia de Jesus)
+ Há vários em movimento (Os 12, nós)

Diferenças
+ No evangelho há 2 movimentos (ir ter com Jesus; ir pregar o evangelho de Jesus)
+ A nossa meta não tinha nada de especial; no evangelho a meta é Jesus
+ No nosso jogo só um vencia; no evangelho, os 12 têm recompensa

O catequista convida cada um a colocar-se no lugar dos apóstolos e a tentar sentir o que eles sentiam. 
“Tu és um destes 12 discípulos de Jesus. Já O conheces há algum tempo. Gostas dele, mas tens a tua vida, os teus planos… Quando Jesus te chama, o que é que sentes? O que é que te motiva a ires ter com Ele?” Dar espaço para pensar e, num clima sereno e sincero, partilhar as respostas.

Experiência da fé que se vai partilhar
O catequista convida agora a um exercício de imaginação. “Vamos, por um momento, deixar de lado os 12 apóstolos que andaram com Jesus, há 2000 anos. Imagina que és tu a quem Jesus chama.”

O catequista coloca uma imagem bonita do rosto de Jesus, no mesmo local onde estava a meta do jogo inicial. Diz: “Tu, assim como és, com as tuas qualidades e defeitos, com a tua amizade a Jesus e as tuas dúvidas, estás a uma certa distância de Jesus.” E explica que cada um se deve colocar na sala a uma certa distância do quadro de Jesus. “Sente que esse é o teu lugar. Esse lugar onde estás sentado é a tua vida neste momento.” 

A seguir, convida a atar os tornozelos, tal como no jogo inicial. Convida cada um a pensar o que é que pode representar esse fio que lhes ata e dificulta os movimentos. Com liberdade e num clima de profunda sinceridade, cada um pode partilhar com o grupo as coisas, memórias, pessoas que atrofiam a sua identidade, o seu desejo de movimento e liberdade. 

O catequista sugere a todos que se levantem e se ponham a caminho (com os tornozelos atados, tal como no jogo inicial) em direcção a Jesus.

Ao fim de 15 ou 20 segundos, o catequista interrompe a actividade e comenta: “Isto não faz sentido. É verdade que estas cordas que nos atam os tornozelos são reais. Há mesmo muitas coisas que não nos deixam crescer, que prendem o melhor de nós mesmos. Mas, quando vamos ter com Jesus, estas cordas continuam na mesma?

O alcance da pergunta pode não ser percebido por alguns dos catequizandos. Sem dar respostas pré-fabricadas, o catequista ajuda o grupo a perceber que ao ser chamados por Jesus, somos transformados, libertados de tantas coisas que nos atrofiam, que impedem o nosso eu verdadeiro. 

E o catequista acrescenta: 
Jesus quis chamar cada um dos Doze. Quis chamar cada um de nós. E chama-nos para estar com Ele. Quando nos chama, muda-nos consagra-nos, solta-nos de tudo aquilo que atrofia a nossa vocação, o nosso eu mais verdadeiro, que é a pessoa que Ele nos chama a ser. Queres ir ter com Jesus e deitar foras essas cordas?” 
E ajuda os catequizandos a soltar as cordas que os prendiam. Deixam as cordas no lugar. E todos se aproximam da imagem de Jesus.

Chegados perto da imagem de Jesus, o catequista convida a um momento de oração:
Jesus chamou-nos para estarmos com Ele. Ele gosta de estar contigo. E a nós também nos sabe bem estar perto d’Ele.”
O catequista sugere que cada um procure serenar, respirar com calma e sentir que está na presença de Jesus. Convida cada um a dar-se conta que Jesus o ama e o consagra.

Entrega uma folha com estas frases (ou mostra-as escritas numa cartolina grande).

**
Eu desejava esperar por Ti, meu Deus
mas percebi que desde há muito Tu estavas à minha espera.

Eu desejava procurar-Te, meu Amigo
e vi que andavas à minha procura.

Eu pensava: “Até que enfim, encontrei Deus!”
Foi nessa altura que me senti encontrado por Ele.

Eu queria dizer a Deus que o amo muito
mas ouvi a sua voz a dizer-me: “Eu amo-te mais ainda!”

Eu tinha tantas coisas para Te dizer
mas entretanto percebi que Tu tens falado comigo de muitas maneiras.

Eu queria pedir-Te perdão, meu Deus,
mas descobri que Tu já me tinhas perdoado.

Cada um deve ler as frases em silêncio. Com liberdade, cada um pode ler em voz alta a frase que mais lhe chama a atenção. Ao ler em voz alta, importa fazê-lo como uma oração e não como uma simples leitura.

O catequista recolhe os sentimentos de todos durante este momento de oração: “É bom estar aqui, com Jesus. Sentimo-nos amados, transformados, curados, consagrados. Mas, como dissemos antes, no evangelho que ouvimos há dois movimentos. Jesus chamou-nos para estar com Ele e para nos enviar.”

Convida a olhar para as cordas que foram deixadas lá atrás. “Aquelas cordas representavam tanto do que nós somos ou éramos. Mas podem representar também as dores e tristezas dos nossos amigos, das pessoas da nossa família. Podem ser as injustiças que oprimem tantos povos. Podem ser as vidas falsas de tanta gente aparentemente feliz e bonita.” Pede que cada um nomeie situações de perda, de dor, que existem no mundo (mais próximo das suas vidas ou do mundo em geral).

E o catequista continua: “Estamos aqui com Jesus. Sentimos que Ele nos faz bem. Há muito tempo, aos 12 apóstolos, Ele chamou-os para os enviar a anunciar o Evangelho, com o poder de expulsar o mal. Faz silêncio em ti… Ouves a voz de Jesus a dizer-te que conta contigo para ires ter com aquelas pessoas que ainda estão amarradas com aquelas cordas? Ele envia-te em missão. A dar esperança e alegria. A dar amparo e consolo. Ele conta contigo. Queres dizer-lhe sim?”

O catequista dá uns momentos para a reflexão em silêncio.

Conclui-se com um canto animado que fale de missão, de serviço e de envio.

Ver mais:
Sugestão para uma vigília no site: http://cirp.pt/site/

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