Era uma vez um jovem triste que se cruzou com um ancião sábio.
O ancião, vendo o jovem, ordenou-lhe:
– Enche a mão de sal, deita-o num copo de água e bebe-a.
O jovem fez o que o mestre lhe ordenou.
– Qual é o gosto? – Perguntou o mestre.
– Horrível – respondeu o jovem.
O mestre sorriu e pediu ao jovem que enchesse outra mão de sal e a deitasse a um lago.
Os dois caminharam em silencio e o jovem lançou o sal no
lago.
– Bebe um pouco dessa agua – ordenou o ancião.
Enquanto a agua escorria pelo queixo do jovem, o mestre
perguntou-lhe:
– Qual o gosto?
– Bom! – disse o jovem.
– Sentes o gosto do sal?
– Não.
O mestre, então, sentou-se ao lado do jovem e, segurando-lhe as mãos, ensinou-lhe:
– A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor
depende de onde a colocamos. Quando sentires dor, a única coisa que deves fazer é aumentar a perceção do que está à tua volta, em que se dilui, positivamente, como o sal, a tua dor. Por outras palavras: é deixares de ser copo para te tornar-se um lago.
Carlos Alberto Omena, em Contos para refletir

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