«A bondade e a graça [do
Senhor] hão de acompanhar-me todos os dias da minha vida, e
habitarei na casa do Senhor para todo o sempre.»
Hoje repetirei a oração do salmista:
E, em tudo o que hoje fizer, disser ou pensar, vou procurar defender
a vida e dar vida onde ela não exista. Por isso lutarei contra tudo
o que redunda em roubar, matar ou destruir a vida nas suas variadas
dimensões: humana, social, cultural, psíquica, afetiva, espiritual,
cultual.
O Capítulo 10 do Evangelho de São João…
– todos os anos, no IV Domingo da Páscoa, lemos uma parte desse
capítulo –
… é dedicado ao tema do Bom Pastor.
Daí que se chame Domingo do Bom Pastor e ande associado à Oração
pelas Vocações.
Numa alegoria em que que Jesus se identifica como Bom Pastor,
percebemos como é a bondade do Senhor. A sua postura diante do
rebanho, diante da Igreja, convida-nos a sentir a força do Seu amor,
a preocupação constante pelo bem de todos os que são seus, o facto
de conhecer a cada um pelo próprio nome, como porta que conduz à
eternidade das pastagens verdejantes.
“Pastores” era o nome que se dava aos reis e chefes dos povos,
desde muito cedo, no antigo Médio Oriente. Moisés e David, antes de
serem efetivamente dirigentes e pastores do Povo de Israel tinham
sido mesmo pastores de ovelhas. O profeta Ezequiel, em tempos do
exílio, perante o fracasso dos chefes políticos e religiosos, acaba
por apresentar Deus como “Pastor de Israel”.
O Evangelista São João, servindo-se de uma parábola, começa por
distinguir entre pastores bons e maus. E com toda a solenidade começa
por definir como maus pastores todos os que não entram pela porta do
aprisco, pois esses são apenas ladrões e salteadores.
São tudo menos pastores. Pensam apenas no seu proveito pessoal.
Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. O porteiro
abre lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma
delas pelo seu nome e leva as para fora. Depois de ter feito sair
todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem
no, porque conhecem a sua voz.
Jesus apresenta agora o lado oposto da parábola, na linha do profeta
Ezequiel: o bom pastor é o que entra pela porta do aprisco, tira as
ovelhas para fora chamando-as pelo seu nome, caminha à sua frente, e
elas seguem-no porque, também elas conhecem a sua voz.
«Como um pastor se preocupa pelo seu rebanho (…) assim em me
preocuparei pelas minhas ovelhas», diz Deus pela boca de Ezequiel.
Jesus identifica-se com esse Deus e com o Seu modo de proceder.
Acreditamos que Jesus é realmente o nosso Pastor? Que Ele nos
conhece pelo nosso nome? Que, ao criar-nos, deixou em nós a sua
marca, o seu GPS? Que nos ama individualmente porque fomos criados
por Ele em forma única? Que quer estabelecer uma relação íntima
com cada um/a de nós? Que pretende libertar-nos e caminhar à nossa
frente nos momentos alegres e nas dificuldades? E nós? Conhecemos
nós a Sua voz? Aceitamos segui-Lo? Até que ponto e de que maneira?
«Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não
conhecem a voz dos estranhos». Jesus afirma aqui o que os nossos
pais nos ensinavam: «Nunca sigas um estranho! Foge dele…» Jesus
identifica aqui “estranho” com “perigo, ameaça”, alguém que
nos pode fazer mal e levar por maus caminhos. É que um mau pastor é
uma desgraça para as ovelhas.
Oração
Senhor, Tu dizes que as tuas ovelhas não seguem um estranho e fogem
dele. E assim devia ser. Mas que acontece realmente? Nós trocamos
frequentemente a Tua voz pela voz de tantos estranhos!... E deixamos
de Te escutar, pomos-Te de lado. E depois queixamo-nos que Tu nos
abandonas, que ficas calado, que não compreendes os nossos projetos.
Interroguemo-nos: na realidade a quem ouvimos nós? A quem seguimos?
A Jesus Bom Pastor? Ou a estranhos desconhecidos? Com quem intimamos
no nosso agir diário? A quem atribuímos as nossas frustrações?
Senhor, eu repito todos os dias que sou dos teus, que sou ovelha do
teu rebanho, que quero ouvir a Tua voz, que quero seguir-Te.
Senhor, que eu não abafe, nem deixe de escutar a Tua voz potente,
clara, dócil mas decidida que vem do Evangelho e me quer conduzir a
pastagens verdejantes de liberdade, realização e felicidade. Que eu
realize a vocação que Tu me destinaste neste mundo.
Sabemos que Tu tens resposta para todas as nossas dificuldades e
esperanças; sabemos que se te escutarmos e seguirmos teremos de nos
comprometer Contigo e como Tu, agir pelos critérios do Evangelho,
dando vida e abrindo caminhos de verdadeira liberdade e felicidade,
onde poderemos saborear a satisfação de todas as necessidades, que
se resumem a uma coisa: amar e ser amados.
De facto, a Fé leva-nos a uma comunhão profunda com Ele a ponto de
também nós dizermos como o Apóstolo São Paulo: «Aposto tudo em
Jesus porque Ele me amou e se entregou por mim. Já não sou eu que
vivo mas é Ele que vive em mim.»
Isto é receber a vida em abundância que Jesus, Bom Pastor, nos
oferece. Que reação temos diante deste oferta? Qual é a qualidade
da minha vida? Interessa-me só a parte material e social ou
apercebo-me que, se me falta a dimensão espiritual, não sou pessoa
completa? Que peso tem a fé e a relação/encontro com Deus no meu
viver diário?
P.e Luciano Miguel, Sociedade Dom Bosco

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