Na Igreja de Jesus Cristo, não se pode estar de qualquer maneira: por hábito, inércia ou por medo

Ao que parece, às primeiras gerações cristãs não lhes preocupava muito o número. No final do século I, eram apenas uns vinte mil, perdidos no meio do Império Romano. Eram muitos ou eram poucos? Eles formavam a Igreja de Jesus, e o importante era viver pelo seu Espírito. São Paulo convida constantemente os membros das suas pequenas comunidades a que «vivam em Cristo» (cf 2 Cor 5, 15). O quarto evangelho exorta os seus leitores a que «permaneçam com Ele» (Jo 15).

Mateus, por sua vez, coloca estas palavras nos lábios de Jesus: «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt 18, 20). Na Igreja de Jesus, não se pode estar de qualquer maneira: por hábito, inércia ou por medo. Os Seus seguidores devem estar «reunidos em Seu Nome», convertendo-se a Ele, alimentando-se do Seu Evangelho. Esta é também hoje a nossa primeira tarefa, mesmo que sejamos poucos, mesmo que sejamos dois ou três.

Reunir-se em nome de Jesus é criar um espaço para viver toda a existência em torno Dele e a partir do Seu horizonte. Um espaço espiritual bem definido não por doutrinas, costumes ou práticas, mas pelo Espírito de Jesus, que nos faz viver com o Seu estilo.

O centro deste «espaço de Jesus» é ocupado pela narrativa do Evangelho. É a experiência essencial de toda a comunidade cristã: lembrar Jesus, recordar as Suas palavras, acolhe-las com fé e atualizá-las com alegria. Essa arte de acolher o Evangelho nas nossas vidas permite-nos entrar em contato com Jesus e viver a experiência de ir crescendo como Seus discípulos e seguidores.

Neste espaço criado em Seu nome, vamos caminhando, não sem fraquezas e pecados, em direção à verdade do Evangelho, descobrindo juntos o núcleo essencial da nossa fé e recuperando a nossa identidade cristã no meio de uma Igreja por vezes tão debilitada pela rotina e tão paralisada pelos medos.

Este espaço dominado por Jesus é o primeiro que temos de cuidar, consolidar e aprofundar nas nossas comunidades e paróquias. Não nos enganemos. A renovação da Igreja começa sempre no coração de dois ou três crentes que se reúnem em nome de Jesus.

José Antonio Pagola, em Grupos de Jesus
Tradução: Antonio Manuel Álvarez Perez

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