Um presente para pedir a Deus
Peço o dom de ser capaz de desistir dos meus planos e projetos, sempre que
Deus abrir diante de mim novos caminhos e desafios.
Uma reflexão para o caminho
Já me aconteceu confiar num mapa ou GPS para me orientar numa viagem e
deparar-me com uma realidade muito diferente daquilo que estava à espera.
Talvez o mapa estivesse desatualizado e tivessem sido construídas novas
estradas ou rotundas. Ou talvez tenha entrado em caminhos e trilhos demasiado
pequenos para serem mostrados. É possível que a informação do GPS já não
correspondesse ao que encontrei no terreno. Seja qual for o motivo, este tipo
de situação exige-me flexibilidade para me adaptar ao inesperado.
Às vezes isto pode tornar-se uma vantagem. As novas rotas podem oferecer-me
um atalho que diminua minutos ou até horas à viagem. Qual costuma ser a minha
reação? Arrisco entrar naquele que parece ser um atalho, mesmo que nem sempre
se saiba claramente até onde vai ter? Ou mantenho-me fiel ao plano original,
recusando más surpresas?
A resposta será provavelmente decidida tanto pelo meu temperamento como
pela confiança que tenho no mapa ou nas minhas capacidades de orientação. Há quem
tome naturalmente decisões arriscadas, abraçando a oportunidade de novos
desafios. Outros são mais cautelosos, preferindo optar pelo seguro. Estas
atitudes também se aplicam à minha viagem para Deus. Se de repente Deus se
revelasse a mim com oportunidades novas e imprevistas, como é que reagia? Com medo
ou entusiasmo?
Uma passagem bíblica para o caminho
Um jogo antigo convida os participantes a citar provérbios ou adágios
contraditórios. Por exemplo, «quem espera, sempre alcança» com «quem muito
espera, desespera»; «nunca se é velho demais para aprender» e «burro velho não
aprende línguas». Por vezes o mesmo acontece aparentemente nas Escrituras,
mesmo nas palavras de Jesus.
«Ninguém deita vinho novo em odres velhos; (...) Mas deve deitar-se vinho
novo em odres novos. E ninguém, depois de ter bebido o velho, quer do novo,
pois diz: "o velho é que é bom!"» (Lucas 5, 37-39)
A primeira parte deste excerto parece apelar à adaptação que é preciso
realizar para integrar a mudança. A segunda parte sugere que muitos preferem
deixar as coisas como estão. Mas neste narrativa está subjacente a ideia de que
com a vinda de Jesus alguma coisa de novo tem de irromper no nosso mundo, e a
continuação do que foi vivido até agora, por muito que seja desejada, já não é
uma opção. Como é que reajo a esta espécie de revolução da fé que Jesus parece
preconizar aqui?
Palavras para a viagem
Deus das surpresas,
trata com carinho a parte de mim que prefere
o que já foi tentado e testado,
e estimula o que em mim gosta do desafio
com os novos caminhos do teu Espírito
que sopra onde quer.
Fonte: P.e Paul Nicholson,
SJ, An Advent pilgrimage, KM Publishing

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