Peregrinação de Advento - segunda semana, sexta-feira: atalhos de oportunidades


Um presente para pedir a Deus

Peço o dom de ser capaz de desistir dos meus planos e projetos, sempre que Deus abrir diante de mim novos caminhos e desafios.

 

Uma reflexão para o caminho

Já me aconteceu confiar num mapa ou GPS para me orientar numa viagem e deparar-me com uma realidade muito diferente daquilo que estava à espera. Talvez o mapa estivesse desatualizado e tivessem sido construídas novas estradas ou rotundas. Ou talvez tenha entrado em caminhos e trilhos demasiado pequenos para serem mostrados. É possível que a informação do GPS já não correspondesse ao que encontrei no terreno. Seja qual for o motivo, este tipo de situação exige-me flexibilidade para me adaptar ao inesperado.

Às vezes isto pode tornar-se uma vantagem. As novas rotas podem oferecer-me um atalho que diminua minutos ou até horas à viagem. Qual costuma ser a minha reação? Arrisco entrar naquele que parece ser um atalho, mesmo que nem sempre se saiba claramente até onde vai ter? Ou mantenho-me fiel ao plano original, recusando más surpresas?

A resposta será provavelmente decidida tanto pelo meu temperamento como pela confiança que tenho no mapa ou nas minhas capacidades de orientação. Há quem tome naturalmente decisões arriscadas, abraçando a oportunidade de novos desafios. Outros são mais cautelosos, preferindo optar pelo seguro. Estas atitudes também se aplicam à minha viagem para Deus. Se de repente Deus se revelasse a mim com oportunidades novas e imprevistas, como é que reagia? Com medo ou entusiasmo?

 

Uma passagem bíblica para o caminho

Um jogo antigo convida os participantes a citar provérbios ou adágios contraditórios. Por exemplo, «quem espera, sempre alcança» com «quem muito espera, desespera»; «nunca se é velho demais para aprender» e «burro velho não aprende línguas». Por vezes o mesmo acontece aparentemente nas Escrituras, mesmo nas palavras de Jesus.

«Ninguém deita vinho novo em odres velhos; (...) Mas deve deitar-se vinho novo em odres novos. E ninguém, depois de ter bebido o velho, quer do novo, pois diz: "o velho é que é bom!"» (Lucas 5, 37-39)

A primeira parte deste excerto parece apelar à adaptação que é preciso realizar para integrar a mudança. A segunda parte sugere que muitos preferem deixar as coisas como estão. Mas neste narrativa está subjacente a ideia de que com a vinda de Jesus alguma coisa de novo tem de irromper no nosso mundo, e a continuação do que foi vivido até agora, por muito que seja desejada, já não é uma opção. Como é que reajo a esta espécie de revolução da fé que Jesus parece preconizar aqui?

 

Palavras para a viagem

Deus das surpresas,

trata com carinho a parte de mim que prefere

o que já foi tentado e testado,

e estimula o que em mim gosta do desafio

com os novos caminhos do teu Espírito

que sopra onde quer.

 

Fonte: P.e Paul Nicholson, SJ, An Advent pilgrimage, KM Publishing

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