Um presente para pedir a Deus
Peço para ser capaz de experimentar com mais plenitude a providência de Deus na generosidade dos outros e na abundância da Natureza.
Começar uma longa viagem sem dinheiro, seguro de saúde, reservas de hotel, telemóvel ou cartão multibanco será uma decisão irresponsável? Há cinco séculos, quando Santo Inácio de Loyola decidiu que esta seria uma das experiências de teste a que os candidatos à sua ordem religiosa se deviam submeter, os críticos pensavam da mesma maneira - e hoje continua a ser assim. No entanto, ela é uma das mais fortes experiências da providência que é possível ter.
A providência é a crença de que Deus vai proporcionar o que é preciso para aqueles que nele confiam. Deus não impede os peregrinos de apanharem bolhas nos pés, nem garante que não vão ter frio, ficar molhados ou não terem o que comer, tal como, numa escala maior, Deus não intervém diretamente para prevenir a guerra, fome ou desastres naturais. Mesmo assim, as pessoas de fé confiam que Deus vai, no fim, providenciar o que precisam, mesmo quando essa confiança é dificilmente conquistada e perante muitas evidências em contrário.
Sei o que é a providência de Deus para mim? É Deus que age na minha vida de todos os dias, por Si mesmo ou por meio daqueles com quem me encontro e vivo, para responder às minhas necessidades e às deles. Sou consciente de que a maior parte do que preciso é-me oferecido pela generosidade daqueles que encontro ao longo da vida, ou é obtido pelo recurso aos dons e talentos que Deus me deu - dons que, por vezes, nem sequer imaginava que possuía.
Inácio de Loyola não imaginou por si próprio o conceito de enviar os candidatos em peregrinação, como hoje continua a acontecer. Ele pensava que este método não era mais do que seguir o exemplo de Cristo, quando Ele enviou os seus discípulos mais próximos nas suas próprias viagens apostólicas: «Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos; nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado; pois o trabalhador merece o seu sustento.» (Mateus 10, 9-10)
Jesus não espera que os seus seguidores sejam indigentes ou passem fome como resultado da forma como Ele os enviou. Nem eles adquirem a sensação, semelhante a quem recebe um salário, de que têm direito ao que recebem. Eles são chamados a confiar na generosidade de outros, e desta forma reconhecer a providência de Deus. Consigo determinar algum acontecimento na minha vida, passada ou presente, que corresponda a esta experiência?
Deus providente, Sei que tudo o que tenho vem de ti. Ajuda-me a experimentar esta certeza com confiança jubilosa e afasta-me da angústia da necessidade.

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