Jesus Cristo morreu como tinha vivido: São Lucas destaca a sua a bondade, proximidade aos que sofrem e capacidade de perdoar
Como viveu Jesus as suas últimas horas? Qual foi a sua atitude no momento da execução? Os Evangelhos não se detêm a analisar os seus sentimentos. Simplesmente recordam que Jesus morreu como tinha vivido. São Lucas, por exemplo, quis destacar a bondade de Jesus até ao fim, a sua proximidade aos que sofrem e a sua capacidade de perdoar. Segundo o seu relato, nos capítulos 24 e 25 do seu Evangelho, Jesus morreu a amar: Lucas 24 e 25.
Imagem retirada daqui: Via-Sacra com Francisco
No meio da multidão que observa a passagem dos condenados a
caminho da cruz, algumas mulheres aproximam-se de Jesus a chorar. Não podem
vê-lo sofrer assim. Jesus «volta-se para elas» e olha-as com a mesma ternura
com que sempre as tinha olhado: «Não choreis por mim, chorai por vós e pelos
vossos filhos». Assim caminha Jesus para a cruz: pensando mais naquelas pobres
mães do que no seu próprio sofrimento.
Faltando poucas horas para o final, desde a cruz só se ouvem
os insultos de alguns e os gritos de dor dos justiçados. De repente, um deles
dirige-se a Jesus: «Lembra-te de mim.» A sua resposta é imediata: «Asseguro-te:
hoje estarás comigo no paraíso.» Sempre fez o mesmo: tirar medos, infundir
confiança em Deus, contagiar esperança. Assim continua a fazer até ao fim.
O momento da crucificação é inesquecível. Enquanto os
soldados o pregam ao madeiro, Jesus diz: «Pai, perdoa-lhes, porque eles não
sabem o que estão a fazer.» Assim é Jesus. Assim viveu sempre: a oferecer aos
pecadores o perdão do Pai. Segundo Lucas, Jesus morre a pedir ao Pai que
continue a abençoar aqueles que o crucificam, que continue a oferecer o seu
amor, o seu perdão e a sua paz a todos, mesmo aos que O estão a matar.
Não é estranho que Paulo de Tarso convide os cristãos de
Corinto a descobrir o mistério que se encerra no Crucificado: «Tudo isto vem de
Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos confiou o ministério
da reconciliação. Pois foi Deus quem reconciliou o mundo consigo, em Cristo,
não imputando aos homens os seus pecados, e pondo em nós a palavra da
reconciliação» (2 Cor 5, 18-19).
José
Antonio Pagola, Grupos de Jesus

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