Seguindo o costume judaico, os primeiros cristãos
cumprimentavam-se desejando-se um mutuamente «paz». Não era uma saudação
rotineira e convencional. Para eles tinha um significado mais profundo. Numa
carta que Paulo escreve por volta do ano 61 a uma comunidade cristã da Ásia
Menor, manifesta-lhes o seu grande desejo: «Que a paz de Cristo reine nos
vossos corações.»
Esta paz não deve ser confundida com qualquer coisa. Não é
apenas uma ausência de conflitos e tensões. Nem uma sensação de bem-estar ou
uma procura de tranquilidade interior. Segundo o Evangelho de João, é o grande
presente de Jesus, a herança que quis deixar para sempre aos seus seguidores.
Assim diz Jesus: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz.»
«Não fomos salvos pela
crucificação de Jesus,
nem fomos salvos pela morte de Jesus, que foi assassinato.
Somos salvos pela Vida de Jesus, doada até à morte.»
Gabriel Cifermann
Jesus já tinha indicado aos seus discípulos, quando os enviou a construir o reino de Deus: «Na casa em que entrares, dizei primeiro, “Paz a esta casa”.» Para humanizar a vida, a primeira coisa é semear a paz, não a violência; promover respeito, diálogo e a escuta mútua, não imposição, confronto e dogmatismo.
Porque é tão difícil a paz? Porque voltamos uma e outra vez
ao confronto e à agressão mútua? Há uma primeira resposta tão elementar e
simples que ninguém a leva a sério: só homens e mulheres que possuem a paz
podem exercitá-la na sociedade.
Não pode semear paz qualquer pessoa. Com o coração cheio de
ressentimento, intolerância e dogmatismo, podem-se mobilizar pessoas, mas não é
possível trazer a verdadeira paz à convivência. Não ajuda a aproximar as
posições e a criar um clima amigável de compreensão, aceitação mútua e diálogo.
Não é difícil assinalar algumas características da pessoa
que leva no seu interior a paz de Cristo: procura sempre o bem de todos, não
exclui ninguém, respeita as diferenças, não alimenta a agressão, fomenta o que
une, nunca o que confronta.
Que estamos a levar ao mundo hoje a partir da Igreja de
Jesus? Concordia ou divisão? Reconciliação ou confronto? E se os seguidores de
Jesus não levam paz não seu coração, o que é que levam? Medos, interesses,
ambições, irresponsabilidade?
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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