Os tempos atuais necessitam da «paciência cristã», que não é resignação, mas encontrar e oferecer a melhor resposta para as crises

O Evangelista São Lucas, no capítulo 21, depois de alertar para o que se diz sobre o fim do mundo, concluiu com a afirmação de Jesus: «Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas.»

As palavras de Jesus sobre futuras perseguições e tribulações enfatizam de maneira especial a necessidade de enfrentar a crise com paciência. O termo usado pelo evangelista significa «força, resistência, perseverança, capacidade de permanecer firme diante das dificuldades, paciência ativa».

Paciência ativa é esperança alegre e ativa, é sobre encontrar e oferecer a nossa melhor resposta para as crises.

Mundo precisa de paciência
«Quase não se fala de paciência nos dias de hoje e, no entanto, poucas vezes terá sido tão necessária como nestes tempos de grave crise generalizada, incerteza e frustração.

São muitos os que vivem hoje nas intempéries e, ao não poder encontrar abrigo em nada que lhes ofereça sentido, segurança e esperança, caem no desânimo, na tensão ou na depressão.

A paciência de que fala o Evangelho não é virtude própria de homens fortes e aguerridos. É mais bem a atitude serena de quem acredita num Deus paciente e forte que anima e conduz a história, às vezes tão incompreensível para nós, com ternura e amor compassivo.

A pessoa animada por esta paciência não se deixa perturbar pelas tribulações e crises dos tempos. Mantém o animo sereno e confiado. O seu segredo é a paciência fiel de Deus, que, apesar de tanta injustiça absurda e tanta contradição, continua sua obra até cumprir suas promessas.

Para os impacientes, a espera torna longa. Por isso crispa e torna-se intolerante. Embora pareça firme e forte, na verdade é débil e sem raízes. Agita-se muito, mas constrói pouco; critica constantemente, mas mal semeia; condena, mas não liberta. O impaciente pode terminar em desânimo, cansaço ou resignação amarga. Já não espera mais nada. Nunca dá esperança.

A pessoa paciente, pelo contrario, não se irrita nem se deixa deprimir pela tristeza. Contempla a vida com respeito e até com simpatia. Deixa os outros serem, não antecipa o julgamento de Deus, não pretende impor sua própria justiça.

Nem por isso cai na apatia, no ceticismo ou no abandono. A pessoa paciente luta e combate dia a dia, precisamente porque vive animada pela esperança. «Se nos fatigamos e lutamos, é porque temos esperança no Deus vivo» (1 Timóteo 4,10).

A paciência do crente está enraizada no Deus «amigo da vida». Apesar das injustiças que encontramos no nosso caminho e dos golpes que a vida dá, apesar de tanto sofrimento absurdo ou inúteis, Deus continua a sua obra. Nele, nós crentes, colocamos a nossa esperança.»

José Antonio Pagola, em Grupos de Jesus

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