Sem (ou cem) caminhos para Deus - ao ver as multidões, Jesus Cristo encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas
«Naquele tempo, Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades. Ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor.» (Mateus 9, 35)
São muitas pessoas que não são crentes nem descrentes. Simplesmente, instalaram-se numa forma de vida em que não equacionam a hipótese de que Deus os procura e encontra, nem pensam fazer um caminho ao encontro de Deus.
Escreve António Pagola, teólogo espanhol:
«Deus está sempre a vir até nós. A primeira coisa que necessitamos é encontrarmo-nos com nós próprios com mais profundidade e sinceridade.»
«Por detrás da crise religiosa de muitas pessoas, não se encerra com frequência uma crise anterior? Se tantos parecem afastar-se hoje de Deus, não é porque antes se afastaram de si mesmos e se instalaram num nível de existência onde Deus já não pode ser ouvido?
Quando alguém se contenta com um bem-estar feito de coisas, e o seu coração está preso apenas por preocupações de ordem material, pode lucidamente perguntar-se por Deus?
Quando uma pessoa procura sempre satisfação imediata e o prazer a qualquer preço, pode abrir-se com profundidade ao mistério último do porquê viver e para quê?
Quando se vive privado de interioridade, esforçando-se por aparentar ou ostentar uma determinada imagem de si mesmo diante dos outros, pode-se pensar-se sinceramente na finalidade da existência, que é caminhar juntos para obter melhores soluções?
Quando uma pessoa vive sempre virada para o exterior, perdendo-se nas mil formas de evasão e divertimento que esta sociedade oferece, pode realmente encontrar-se consigo próprio e perguntar-se sobre que missão lhe confiou Deus?
Quer estejamos conscientes disso ou não, Deus está sempre a vir até nós. Podemos de novo encontrar-nos com ele.
A fé pode ser despertada novamente nos nossos corações. A primeira coisa que necessitamos é encontrarmo-nos com nós próprios com mais profundidade e sinceridade.»

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