Os melhores esforços dos estudos teológicos atuais sobre Maria - a Mariologia - procuram levar os
cristãos a uma visão de Maria como Mãe de Jesus Cristo, primeira discípula do
seu Filho e modelo da vida autenticamente cristã.
Há já algum tempo que a psicologia nos alertava contra os
riscos de uma devoção que falsamente exalta Maria, favorecendo o desprezo pela mulher real.
Maria é hoje para nós um modelo de acolhimento fiel de Deus
a partir de uma postura de fé obediente; exemplo de uma atitude serviçal ao seu
Filho e de preocupação solidária com todos os que sofrem; mulher comprometida
com o «reino de Deus» vivido, anunciado e impulsionado pelo seu Filho.
Nestes tempos de cansaço e pessimismo descrente, Maria, com
a sua obediência radical a Deus e a sua esperança confiante, pode levar-nos a
uma vida cristã mais profunda e mais fiel a Deus.
A devoção a Maria não é, portanto, um elemento secundário
para alimentar a religião de pessoas «simples», inclinada a práticas e ritos
quase «folclóricos». Aproximarmo-nos de Maria é, pelo contrário, colocarmo-nos
no melhor lugar para descobrir o mistério de Cristo e recebê-lo. O Evangelista
Mateus recorda-nos Maria como a mãe do «Emmanuel», ou seja, a mulher que nos
pode aproximar de Jesus «Deus connosco».
José Antonio Pagola

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