Papa aos seminaristas de Barcelona: «Deus pede-nos sacrifícios (...) renúncia ao louro da nobreza, do título académico, do louvor mundano, que só distanciam de Deus»

O Padre Francisco recebeu a comunidade do Seminário Conciliar de Barcelona. No discurso aos seminaristas, fez uma breve reflexão sobre o tema da oração: 

«A oração perseverante produz frutos! Mas, é importante também invocar a mediação da Igreja, por meio da oração dos párocos e fiéis, para que Deus lhes conceda a perseverança na vocação e no caminho do bem.»

Duas tentações do clero 
Depois, referindo-se de modo particular aos que estão para concluir seus estudos, o papa citou duas tentações: 
«A de se concentrar nas coisas ruins, levando em conta apenas as experiências negativas, e a de tentar apresentar um mundo idílico e irreal.»

E explicou:
«Lembrem-se que, quando forem sacerdotes, a sua primeira obrigação será ter uma vida de oração, que brota da ação de graças por este amor de predileção, que Deus lhes demonstrou ao chamá-los ao serviço sacerdotal.»
 
O sacerdote não é um dominador de almas
Na fase de formação para o sacerdócio, seria bom, sugeriu Francisco, confrontar-se com as atitudes de disponibilidade e oração da Virgem Maria, segundo os mistérios Gozosos do Terço.
 
«O sacerdote não é um dominador de almas. A sua riqueza e poder é agir em nome de Jesus, é ser seu instrumento, tornando-o presente na Eucaristia, nos Sacramentos, na Palavra. Por isso, doamo-nos, como Jesus, no Templo, como vítimas, pela redenção do mundo. Aquele Jesus, que se perdeu no Templo, pode ser sempre encontrado no sacrário. Com Ele, fazer todo o possível pelas pessoas que lhes foram confiadas.»

Os sacrifícios que Deus pede ao clero
Citando os mistérios Dolorosos do Terço, Francisco disse:
«Deus pede-nos sacrifício: sacrifício do coração, renunciando à nossa vontade; sacrifício da sensibilidade, que contemplamos na flagelação; sacrifício da honra, renunciando ao louro da nobreza, do título académico, do louvor mundano, que só distanciam de Deus. Devemos aspirar à coroa de espinhos, que nos identificam com o Senhor.»
 
Nisto consiste o sacrifício, disse o papa
«Aceitar a própria cruz e iniciar um caminho, muitas vezes de abandono, com o sacrifício da vida. Olhando para a cruz, levantamos os olhos ao Céu e vemos o nosso destino. Para que isso seja possível, são suficientes coisas simples do dia a dia: cama dura, quarto pequeno, mesa pobre de comida, noites ao lado dos moribundos, levantar-se de madrugada para abrir a igreja, onde, com Jesus, acolhemos os pecadores e sofredores.»

E a ação de graças 
Por fim, o Papa Francisco concluiu as suas reflexões com os mistérios Gloriosos: a nossa ação de graças pelo sacrifício de Jesus na cruz. 
«Após o triunfo da ressurreição, Jesus continua sua ação de graças no santuário celeste, sentado à direita do Pai, convidando-nos à esperança e à alegria, que nos garantem o Paraíso.»

Mistérios de Cristo e mistérios do sacerdócio 
Antes de se despedir da Comunidade do Seminário Conciliar de Barcelona, Francisco recordou que Deus nos envia o Espírito Santo, que concede o dom do sacerdócio. E exortou: “Jamais se esqueçam do seu amor de predileção; jamais deixem apagar o ardor de intrépidos pregadores do Evangelho; imolem-se com Ele no sacrifício Eucarístico. Enfim, ao rezar o Terço, peçam a Maria, Rainha e Mãe de Misericórdia, que os ajude a descobrir os mistérios do sacerdócio, mediante a contemplação dos mistérios do seu Filho”.

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