A oração de petição tem sido alvo de fortes críticas ao
longo dos anos. A sociedade ilustrada da era moderna não consegue colocar-se
numa atitude de súplica diante de Deus, pois afirma que Deus não alterará o
curso natural dos acontecimentos para atender aos seus desejos. A sociedade atual afirma que a Natureza é «uma máquina» que funciona segundo umas leis
naturais, e as pessoas são o único ser que pode agir e transformar, apenas em parte,
o mundo e a História com a sua intervenção.
Jesus elogia a oração de petição
Todavia, a oração de súplica é decisiva para expressar e
viver desde a fé a nossa dependência e cooperação de criatura com Deus.
Não é estranho que o próprio Jesus Cristo, no Evangelho (ver
Mc 7, 24-30 e Mt 15, 21-28) louve a grande fé de uma mulher simples que
sabe implorar insistentemente a sua ajuda.
«Uma mulher cananeia começou a gritar: "Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio." Prostrando-se diante d’Ele, disse: "Socorre-me, Senhor."
Jesus respondeu: "Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos." Mas ela insistiu: "É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos."
Então Jesus respondeu-lhe: "Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas." E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada.»
Deus pode ser invocado a partir de
qualquer situação. Desde a felicidade e desde a adversidade; desde o bem-estar
e desde o sofrimento.
O homem ou a mulher que eleva a Deus a sua petição não se dirige
a um Ser apático ou indiferente ao sofrimento das suas criaturas, mas a um Deus
que pode sair da sua ocultação e manifestar a sua proximidade àqueles os que
lhe suplicam.
O que é a oração de petição?
A oração de petição é procurar e pedir a proximidade de Deus numa determinada situação, não é usar Deus para alcançar os nossos objetivos. É experiência de comunhão não uma obstinação. A experiência da proximidade de Deus não depende primariamente que
se cumpram os nossos desejos.
O crente pode experimentar de muitas formas a proximidade de
Deus, independentemente de como se resolva o nosso problema. Recordemos a sábia
advertência de Santo Agostinho: «Deus ouve a tua súplica, se O procuras a Ele.
Não te ouve se, através Dele, procuras outra coisa».
Não é este o tempo para o cumprimento definitivo. O mal não
está vencido de forma total. O que reza experimenta a contradição entre a
desgraça que sofre e a salvação definitiva prometida por Deus. Por isso, toda a
súplica e petição concreta a Deus fica sempre envolta nessa grande súplica que
o próprio Jesus nos ensinou: «Venha a nós o teu reino», o reino da salvação e
da vida definitiva.
José Antonio Pagola, em Grupos de Jesus

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