Ministérios na Igreja sinodal - áudios das conferências do 47.º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica
O 47.º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica (Fátima, 4 a
7 de setembro de 2023) teve como tema «Ministérios na Igreja Sinodal».
Mais de quinhentas pessoas viveram este encontro. E é
possível ouvir a gravação áudio das palestras na página do Secretariado
Nacional de Liturgia:
O tema é da mais candente atualidade, seja porque se
aproxima a realização da assembleia ordinária em Roma do Sínodo dos Bispos
sobre a sinodalidade (outubro próximo), seja porque o tema dos ministérios está
inscrito na nossa atualidade pastoral quer a nível nacional, com a Instrução da
Conferência Episcopal Portuguesa, Ministérios laicais para uma Igreja Ministerial (julho de 2022), quer a
nível diocesano.
Pelo seu caráter de conferência de abertura e introdução
geral aos trabalhos do encontro e pelo seu valor intrínseco, merece destaque a
intervenção do Prof. José Eduardo Borges de Pinho, muito clara e assertiva.
Apresentamos aqui algumas das suas reflexões.
Constatou que há uma terminologia fluida e incerta que é
importante fixar do ponto de vista teológico, canónico e linguístico, na
consciência da diferença entre carismas (inúmeros), serviços (muitos) e
ministérios (alguns, os necessários). Apontou seis notas distintivas dos
ministérios:
– Existência de um carisma ou carismas na pessoa;
– Consistência visível de um serviço específico a prestar à
comunidade, bem delimitado no seu sentido e na sua missão;
– Tarefa de importância vital para a comunidade nos âmbitos
do anúncio da fé, da celebração, da diaconia e da comunhão;
– Que essa tarefa seja exercida com responsabilidade pessoal
diante de Deus e a Igreja, e seja de algum modo percetível pela sociedade
envolvente;
– Que haja uma certa estabilidade de exercício (alguns anos
ou até toda a vida): o ministério não é algo de temporário ou ocasional;
– Chamamento e reconhecimento públicos por parte da Igreja
expressos preferencialmente em contexto litúrgico, numa celebração orante da
fé.
Estas seis características valem para todos os ministérios, dos
batismais ao ministério ordenado. Aliás é necessário superar a prevalência
mono-ministerial que olha para os diversos ministérios na Igreja a partir do
prisma do ministério ordenado e numa lógica clerical.
Ponto de partida a valorizar: o fundamento carismático de
todos os serviços e ministérios na Igreja. Dado que nem todos os carismas
conduzem a um ministério importa valorizar a importância do chamamento
eclesial, que supõe discernimento sobre a autenticidade dos carismas, o
reconhecimento global da idoneidade do cristão e a perceção de necessidade e
oportunidade desse ministério para a missão da Igreja num dado lugar.
Não é
ministro quem quer ou se julga apto, mas quem a Igreja chama num discernimento
que envolve vários aspetos. Aliás, a realização do ser cristão na Igreja e no
mundo não entra normalmente no registo do ministério. Só alguns, em razão de
dons recebidos e das necessidades da missão podem sentir-se vocacionados e ser
chamados a assumir uma função particular ao serviço de todos.
E esta realidade
ministerial pode concretizar-se em ministérios ordenados ou simplesmente
batismais, cada qual com a sua legitimidade própria.

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