«As ordens sagradas são reservadas aos homens», diz o Papa Francisco na entrevista neste livro. Ele vê outros ministérios importantes das mulheres na Igreja
O Papa Francisco reafirmou a impossibilidade de as mulheres
se tornarem sacerdotes, ou mesmo diaconisas na Igreja moderna, numa entrevista
para o livro O Pastor. Desafios, razões e reflexões de Francisco sobre o seu
pontificado, de Francesca Ambrogetti e Sergio Rubin, publicado em Portugal
pelas Paulinas.
A questão de saber se algumas mulheres na Igreja primitiva
eram “diaconisas” ou outro tipo de colaboradoras dos bispos “não é irrelevante,
porque as ordens sagradas são reservadas aos homens”, disse o papa.
As respostas do papa às perguntas sobre o papel das mulheres
na Igreja foram incluídas no livro publicado em junho em espanhol como “El
Pastor: Desafíos, razones y reflexiones sobre su pontificado”.
Sobre a possibilidade de mulheres diaconisas, Francisco
destacou que o diaconado «é o primeiro grau das ordens sagradas na Igreja
Católica, seguido pelo sacerdócio e, finalmente, pelo episcopado».
Ele disse que formou comissões em 2016 e 2020 para estudar
mais a questão, depois de um estudo feito na década de 1980 pela Comissão
Teológica Internacional ter estabelecido que o papel das diaconisas na Igreja
primitiva «era comparável às bênçãos das abadessas».
Em resposta a uma pergunta sobre porque é “contra o
sacerdócio feminino”, Francisco disse ao jornalista argentino Sergio Rubin e à
jornalista italiana Francesca Ambrogetti, autores do livro, que se trata de «um
problema teológico».
«Acho que a essência da Igreja seria minada se
considerássemos apenas o ministério sacerdotal, ou seja, a via ministerial»,
disse o papa, salientando que as mulheres espelham a noiva de Jesus, a Igreja.
«O fato da mulher não ter acesso à vida ministerial não é
uma privação, porque o seu lugar é muito mais importante», disse. «Acho que
erramos na nossa catequese ao explicar estas coisas e, em última análise,
recorremos a um critério administrativo que não funciona a longo prazo».
«Por outro lado, no que diz respeito ao carisma das
mulheres, quero dizer muito claramente que, pela minha experiência pessoal,
elas têm uma grande intuição eclesial», disse o papa.
Ao ser questionado se a ordenação de mulheres aproxima «mais
pessoas da Igreja» e se o celibato sacerdotal opcional ajuda na escassez de
padres, o papa Francisco disse que não partilha destas opiniões.
«Os luteranos ordenam mulheres, mas ainda poucas pessoas vão
à igreja. Os seus sacerdotes podem casar, mas apesar disso não conseguem
aumentar o número de ministros. O problema é cultural. Não devemos ser ingénuos
e pensar que as mudanças programáticas nos trarão a solução», disse o papa.
«Meras reformas eclesiásticas não servem para resolver
questões subjacentes. Em vez disso, são necessárias mudanças paradigmáticas»,
acrescentou, apontando para a sua carta de 2019 aos católicos alemães para mais
considerações sobre a questão.
Hannah Brockhaus, jornalista da CNA em Roma
(Itália), em ACIDIGITAL
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