O Papa Francisco deseja superar a polarização na Igreja para
que ela possa ser um verdadeiro sinal e instrumento de comunhão com Deus e com
a Humanidade.
Ele deseja que o povo de Deus cumpra a sua responsabilidade
de anunciar ao mundo as boas novas de Jesus, presentes no Evangelho: o amor e a
misericórdia de Deus para toda a humanidade e toda a criação.
O Papa Francisco quer que toda a Igreja se torne sinodal. O
sínodo não é uma conferência académica sobre a Teologia da sinodalidade; é uma
experiência de caminhada juntos. É como a diferença entre uma conferência para
discutir a oração e fazer um retiro para orar. É a diferença entre falar sobre
o amor e estar apaixonado.
Como nenhum documento transmitirá cabalmente o resultado do
sínodo, não será suficiente ler qualquer documento que provenha do sínodo; os
católicos devem experimentar o sínodo, devem praticar o sínodo. O melhor lugar
para fazer isso é na sua paróquia.
Alguns dos participantes africanos no sínodo relatam que já
estão a fazer isso. Eles têm pequenas comunidades cristãs que se reúnem
semanalmente para conversar sobre as Escrituras do domingo. Eles rezam juntos e
partilham suas reflexões. Isso fornece a base para uma paróquia sinodal. O cardeal
Christoph Schonborn, de Viena, reconheceu que a igreja europeia está atrasada
em tais práticas.
Criar método de sínodo na paróquia
Cada paróquia pode ter a sua própria experiência sinodal
adaptando o processo sinodal conforme descrito em "Metodologia para os
grupos de trabalho", publicado pelo secretário-geral do sínodo.
O processo começa com a oração
Em Roma, os membros do sínodo começaram com um serviço de
oração ecuménica, seguido de um retiro de três dias e uma missa de abertura. Orar
juntos é essencial para o processo.
Realiza-se em pequenos grupos
Assim como os membros do sínodo, os paroquianos devem ser
divididos em grupos de 10 membros sentados em mesas redondas.
Cada grupo deverá ter um moderador imparcial que incentiva a
escuta respeitosa e garante que todos possam participar.
Cada grupo também escolhe um secretário para elaborar um
relatório das discussões do grupo.
O trabalho real dos pequenos grupos envolve "conversa
no Espírito" sobre a pergunta que desejam discernir. A pergunta pode ser
uma decisão enfrentada pela paróquia ou qualquer um dos tópicos (Comunhão,
Missão, Participação) delineados no documento de trabalho do sínodo ou na
síntese final da primeira fase do Sínodo.
No sínodo, a pergunta a ser considerada foi apresentada aos
grupos numa palestra antes de iniciarem as suas conversas no Espírito. Algo
semelhante pode ser feito para um discernimento paroquial.
Antes de se reunirem em pequenos grupos, cada participante é
solicitado a preparar sua própria contribuição à pergunta "confiando-se ao
Pai, conversando em oração com o Senhor Jesus e ouvindo o Espírito Santo".
Quando o grupo se reúne, dando a volta na mesa, cada pessoa
tem quatro minutos para falar com base na sua experiência e oração. Isso é mais
partilhar experiências do que de articular argumentos. O Irmão Jesuíta Ian
Cribb, que liderou muitos discernimentos comunitários, sugere que cada
participante comece dizendo: "Na minha oração, eu..." O grupo ouve
atentamente a cada participante, mas não responde imediatamente.
O grupo então faz uma pausa de alguns minutos de oração e
reflexão silenciosa.
Essa reflexão não é seguida por um debate. Também não é o
momento de acrescentar o que cada membro do grupo não teve a oportunidade de
dizer na primeira rodada.
Em vez disso, com base no que os outros disseram, cada um partilha
o que mais ressoou nele ou o que despertou mais resistência nele, permitindo-se
ser guiado pelo Espírito Santo: 'Ao ouvir, o que mais me fez arder o coração foi…"
Isso é seguido por outro período de oração e reflexão
silenciosa.
O grupo, então, envolve-se num diálogo aberto com base no
que surgiu anteriormente para discernir e colher os frutos da conversa no
Espírito. Neste ponto, os participantes podem dizer o que quiserem. O objetivo
não é forçar um acordo, mas reconhecer intuições e convergências; identificar
discordâncias, obstáculos e novas questões; permitir que vozes proféticas
surjam.
Sessão plenária
Se vários grupos estiverem envolvidos, cada grupo relata o seu
trabalho aos outros numa sessão plenária. Todos devem sentir-se representados
no relatório do seu grupo.
Após ouvir todos os relatórios, os grupos reúnem-se
novamente para refletir sobre o que ouviram. Em seguida, eles destilam os
frutos da sessão plenária e formulam um relatório final, incluindo propostas
para os próximos passos.
Esse processo é muito diferente de uma reunião paroquial
presidida pelo pároco que anuncia e defende as suas decisões preestabelecidas.
Também é diferente de uma reunião em que as pessoas discutem acaloradamente
entre si sobre o que está a acontecer na paróquia ou debatem outros tópicos da Igreja.
Tais reuniões frequentemente levam a mais polarização, não menos.
O Papa Francisco está a oferecer um caminho melhor. Estamos
dispostos a tentá-lo?
Texto de Thomas J. Reese, jesuíta, na revista America
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