Cada um de nós deve contribuir para a conversão da Igreja - reflexão a partir de São Mateus 23, 1-12

Não são poucos os que se distanciaram da fé, escandalizados ou dececionados com a atuação de uma Igreja que, segundo eles, não é fiel a Jesus Cristo nem age em coerência com o que prega. Também Jesus criticou duramente os líderes religiosos: «Não fazem o que dizem» (
Evangelho segundo São Mateus 23, 1-12). Só que Jesus não ficou por aí. Continuou a procurar e chamar a todos para uma vida mais digna e responsável diante de Deus.
 
Ao longo dos anos, também eu pude conhecer, mesmo de perto, ações da Igreja pouco coerentes com o Evangelho. Algumas vezes chocaram-me, outras magoaram-me, quase sempre me encheram de tristeza. Hoje, porém, entendo melhor do que nunca que a mediocridade da Igreja não justifica a mediocridade da minha fé.
 
A Igreja terá de mudar muito, mas o importante é que cada um de nós reavivemos a fé, que aprendamos a crer de maneira diferente, que não vivamos evitando a Deus, que sigamos honestamente os apelos da própria consciência, que mudemos a nossa forma de encarar a vida, que descubramos o essencial do Evangelho e o vivamos com alegria.
 
A Igreja terá de superar as suas inércias e os seus medos para encarnar o Evangelho na sociedade moderna, mas cada um de nós temos de descobrir que hoje podemos seguir a Cristo com mais verdade do que nunca, sem falsos apoios sociais e sem rotinas religiosas. Cada um de nós tem de aprender a viver de forma mais evangélica o trabalho e a festa, a atividade e o silêncio, sem nos deixarmos modelar pela sociedade e sem perder a nossa identidade cristã na frivolidade moderna.
 
A Igreja deverá rever profundamente a sua fidelidade a Cristo, mas cada um de nós deve verificar a qualidade da nossa adesão a Ele. Cada um de nós deve cuidar da nossa fé no Deus revelado em Jesus. O pecado e as misérias da instituição eclesial não me desculpam nem me desresponsabilizam-me de nada. A decisão de me abrir a Deus ou rejeitá-lo é só minha.
 
A Igreja deverá despertar a sua confiança e libertar-se de covardias e receios que a impedem de contagiar esperança no mundo de hoje, mas cada um de nós é responsável pela nossa alegria interior. Cada um de nós deve alimentar a nossa esperança indo à verdadeira fonte.
 
José Antonio Pagola, em Grupos de Jesus

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