O evangelista Lucas narra o anúncio do nascimento de Jesus em estreito
paralelismo com o de João Baptista (ler Lucas 1, 26-389). Mas o contraste entre ambos os episódios é surpreendente.
O anúncio do nascimento de João Baptista ocorre em
«Jerusalém», a grandiosa capital de Israel, centro político e religioso do povo
judeu.
O nascimento de Jesus anuncia-se numa terra desconhecida das montanhas
da Galileia. Uma aldeia sem relevo algum, chamada «Nazaré», donde ninguém
espera que possa sair nada bom.
Anos mais tarde, estas povoações humildes
acolherão a mensagem de Jesus anunciando a bondade de Deus.
Jerusalém, pelo
contrário, rejeitá-Lo-á.
Quase sempre, são os pequenos e insignificantes os que
melhor entendem e acolhem a Deus encarnado em Jesus.
O anúncio do nascimento de João Baptista tem lugar no espaço
sagrado do «templo».
O anúncio do nascimento de Jesus acontece numa casa pobre de uma «aldeia».
Jesus faz-se
presente aí onde as pessoas vivem, trabalham, se alegram e sofrem. Vive entre
eles aliviando o sofrimento e oferecendo o perdão do Pai. Deus fez-se carne,
não para permanecer nos templos, mas para «colocar a Sua morada entre os
homens» e compartir a nossa vida.
O anúncio do nascimento de João Baptista é escutado por um
homem venerável, o sacerdote Zacarias, durante uma solene celebração ritual.
O anúncio do nascimento de Jesus, é feito a Maria, uma «jovem» de uns 12 anos. Não se indica
donde está nem o que está a fazer. A quem pode interessar o trabalho de uma
mulher? No entanto, Jesus, o Filho de Deus encarnado, verá as mulheres de forma
diferente, defenderá a sua dignidade e as acolherá entre os Seus discípulos.
Por último, de João Baptista anuncia-se que nascerá de
Zacarias e Isabel, um casal estéril, abençoado por Deus.
De Jesus diz-se algo
absolutamente novo: o Messias nascerá de Maria, uma jovem virgem. O Espírito de
Deus estará na origem da Sua aparição no mundo. Por isso, «será chamado Filho
de Deus».
O Salvador do mundo não nasce como fruto do amor de esposos que se
querem mutuamente. Nasce como fruto do Amor de Deus por toda a humanidade.
Jesus não é uma prenda que nos faz Maria e José. É uma prenda que nos que nos
faz Deus.
José Antonio Pagola, em Grupos de Jesus
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