«Necessitamos, os cristãos de hoje, de fazer um exame de consciência coletivo, para reconhecer os nossos erros e pecados?»

«Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.» Este é o início solene e alegre do evangelho de São Marcos. 

Mas, a continuação, de forma abrupta e sem aviso algum, começa a falar da urgente conversão que todo o povo necessita de viver para acolher o seu Messias e Senhor.

E a conversão é «preparar o caminho do Senhor», um caminho concreto e bem definido, o caminho que vai seguir Jesus.

A reação do povo é comovedora. Segundo o evangelista Marcos, deixam a sua terra e partem para o «deserto» para escutar a voz que os chama. O deserto recorda-lhes a sua antiga História, a escravidão no Egito, e o êxodo para a Terra Prometida, na fidelidade a Deus, seu amigo e aliado.

No deserto, as pessoas tomam consciência da situação em que vivem; experimentam a necessidade de mudar; reconhecem os seus pecados sem pôr as culpas nos outros; sentem necessidade de salvação.

A conversão que necessita o nosso modo de viver o cristianismo não se pode improvisar. Requer um tempo de recolhimento e trabalho interior.

Esta pode ser hoje a nossa tentação: não ir ao «deserto». Iludir a necessidade de conversão. Não escutar nenhuma voz que nos convide a mudar. Distrair-nos com qualquer coisa, para esquecer os nossos medos e dissimular a nossa falta de coragem para acolher a verdade de Jesus Cristo.

A imagem do povo a «confessar os seus pecados» é admirável. Não necessitamos, os cristãos de hoje, de fazer um exame de consciência coletivo, a todos os níveis, para reconhecer os nossos erros e pecados? Sem este reconhecimento, é possível «preparar o caminho do Senhor»?

José Antonio Pagola, em Grupos de Jesus

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