«Aquele que permanece em Mim e Eu nele, esse dá frutos abundantes, porque sem Mim nada podeis fazer.»

Na véspera da sua morte, Jesus revela aos seus discípulos o seu desejo mais profundo: «Permaneçam em mim» (Evangelho segundo São João 15, 1-8).

Jesus conhece as cobardias e mediocridade dos seus discípulos. Em muitas ocasiões, recrimina-nos pela pouca fé: se não permanecemos vitalmente unidos a Ele, não poderemos subsistir.

As palavras de Jesus não podem ser mais claras e expressivas: «Assim como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vocês não podem dar fruto, se não permanecerem em mim.»

Se não nos mantivermos firmes no que aprendemos e vivemos com Jesus, a nossa vida será estéril. Se não vivemos animados pelo Seu Espírito, o que foi iniciado por Jesus em nós extinguir-se-á.

Jesus utiliza uma linguagem forte: «Eu sou a videira e vocês são os ramos.» Nos discípulos há de correr a seiva que vem de Jesus. «Aquele que permanece em Mim e Eu nele, esse dá frutos abundantes, porque sem Mim nada podeis fazer.»

Jesus diz também que as «suas palavras permaneçam» em nós. Que não as esqueçamos. Que vivamos do seu Evangelho. Ele já nos tinha dito em outra ocasião: «As palavras que vos disse são espírito e vida» (João 6, 63).

O Espírito do Senhor Ressuscitado permanece hoje vivo e operante na sua Igreja de múltiplas formas, mas a sua presença invisível e silenciosa adquire traços visíveis e uma voz concreta graças à memória guardada nos relatos dos Evangelhos e dos escritos do Novo Testamento. Nles, entramos em contacto com a sua mensagem, o seu estilo de vida e o seu projeto para o reino de Deus.

Por isso, na Boa Notícia de Jesus encontra-se a força mais poderosa que as comunidades cristãs possuem para regenerar as suas vidas. O evangelho de Jesus é o instrumento pastoral mais importante para renovar hoje a Igreja.

Todavia, muitos bons cristãos nas nossas comunidades só conhecem os Evangelhos «de segunda mão». Tudo o que sabem sobre Jesus e a sua mensagem provém das palavras dos pregadores e dos catequistas. Vivem a sua fé sem ter um contato pessoal com «as palavras de Jesus».

É difícil imaginar uma «nova evangelização» sem contato direto e imediato com os Evangelhos. Nada tem mais força evangelizadora do que a experiência de escutar juntos a Boa Nova de Jesus a partir das perguntas, dos problemas, dos sofrimentos e das esperanças do nosso tempo.

José Antonio Pagola, Grupos de Jesus

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