Uma daquelas vezes em que Jesus Cristo Se indignou (Evangelho segundo Marcos: Mc 3, 5)

A indignação de Jesus
Do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 2, 23–3, 6): «Os fariseus observavam Jesus, para verem se Ele ia curar, ao sábado, um homem com uma das mãos atrofiada, e poderem assim acusá-l’O. Jesus disse ao homem: «Levanta-te e vem aqui para o meio.» Depois perguntou-lhes: «Será permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?» Mas eles ficaram calados. Então, olhando-os com indignação e entristecido com a dureza dos seus corações, disse ao homem: «Estende a mão.» Ele estendeu-a e a mão ficou curada. Os fariseus, porém, logo que saíram dali, reuniram-se com os herodianos para deliberarem como haviam de acabar com Ele.

A ternura de Jesus por detrás da sua indignação
São raras as ocasiões em que os evangelistas descrevem alguma reação indignada de Jesus Cristo. Ele, que é todo pureza e santidade, acolhia sem nenhuma objeção os pecadores que se aproximavam dele, sem dar sinais de aspereza ou dureza. No entanto, parece que Jesus simplesmente perdia a paciência com aqueles fariseus que olhavam com atenção tudo o que Ele fazia para encontrar algum indício de que estivesse a violar a lei.

O que é que tinha o pecado destes fariseus para provocar a indignação de Jesus? Diz o Evangelho que ao Senhor entristecia-lhe “a dureza dos seus corações”. É a dureza, a obstinação de não querer aceitar as explicações sobre o sentido autêntico da lei que tanto entristece Cristo. Trata-se de uma cegueira perante a ação da misericórdia de Deus, que ultrapassa os limites que os fariseus lhe queriam impor através de uma regulação excessiva da prática religiosa.

Essa indignação de Cristo manifestava ao mesmo tempo a sua ternura: Ele sofria ao ver que se rejeitava o maravilhoso dom da misericórdia. Por isso, não é uma reação que torna menos amável a figura de Jesus, mas, pelo contrário, torna-a ainda mais atrativa. Se Cristo se sente ferido perante a rejeição do dom da sua misericórdia, que alegria lhe daremos se soubermos acolhê-la com agradecimento! Uma alegria que se multiplica quando o Senhor vê que nós também aprendemos a olhar com compaixão para outros, sem pôr condições à ação da sua misericórdia.

Rodolfo Valdez, em Comentário ao Evangelho

Comentários