Onde entrais, Senhor, é sempre dia
e o rosto da noite rendido se desvia.
Onde entrais, Senhor, o jardim da alegria
enche o mundo da esperada harmonia.
Onde entrais, Senhor, nasce o sol da vida
e a morte foge vencida.
A messe é grande e toda a terra Vos espera!
Espera-Vos a voz e a boca de tantos pobres
vergados ao peso de uma cruz imposta e injusta.
Espera-Vos a inocência das crianças abandonadas
a quem roubaram o viço de um futuro feliz.
Espera-Vos a inquietude de tantos jovens enganados
pelos cantos de vãs sereias que apodreceram as raízes.
Espera-Vos a angústia de tantos casais,
quebrados os vasos e secos os nós e os laços.
Espera-Vos a solidão de tantos doentes,
os horizontes cobertos de nuvens escuras.
A messe é grande e toda a terra Vos espera!
Somos nós que Vos apresentamos na nossa debilidade,
alimentados pela chama de uma fé inquebrantável,
impelidos pela suma energia do Vosso Espírito protector.
Só Vós sois o Senhor e o Salvador.
Vós e nós, numa íntima comunhão e acção,
ergueremos um mundo novo de paz e concórdia,
deixaremos para trás a terra do materialismo vazio e estéril,
iremos em frente na humildade e no despojamento
abrir caminhos de verdade, justiça e transparência,
anunciaremos que o Reino de Deus já começou
e o tempo novo veste os corações das flores da salvação.
Iremos mostrar o rosto da misericórdia a todos
quantos dela carecem como o deserto árido da fresca água.
Cantaremos a alegria do Evangelho:
a prenda que encherá de ouro a vida de todos os amargurados.
Convosco, Senhor! Para sempre!
Ámen!
João Augusto da Fonseca Guerra
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