Este é o gesto mais importante e central de toda a semana para o cristão - a comunhão explicada passo-a-passo

Do Evangelho segundo São João (
Jo 6, 51-58)Disse Jesus à multidão:
«Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. 
O pão que Eu hei de dar é minha carne, que Eu darei pela vida do mundo.
Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.
A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele. 
Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim.
Este é o pão que desceu do Céu: quem comer deste pão viverá eternamente.»

Comungar com Jesus
«Felizes os convidados para a Ceia do Senhor!» – é o que diz o presbítero ao mostrar a toda a comunidade o pão eucarístico antes de iniciar a sua distribuição. Que eco têm hoje estas palavras em quem as ouve?
 
Muitos, sem dúvida, sentem-se afortunados por poderem ir à comunhão, encontrar-se com Cristo e alimentar Nele a sua vida e a sua fé.
 
Muitos levantam-se automaticamente, para realizarem mais uma vez um gesto rotineiro.
 
E um número significativo de pessoas não se sente chamado a participar e não experimenta nenhuma insatisfação como resultado da sua decisão.
 
E, no entanto, receber a Comunhão pode ser para o cristão o gesto mais importante e central de toda a semana, se for vivido em toda a sua expressividade e dinamismo.

Os ritos da Comunhão e o seu significado muito prático 
A preparação começa com o canto ou recitação da Oração do Senhor (Pai-Nosso). Não nos preparamos para receber a Comunhão por conta própria. Recebemos a comunhão formando uma família que, acima das tensões e das diferenças, quer viver fraternalmente, invocando o mesmo Pai e encontrando-nos todos no mesmo Cristo.
 
Não se trata de rezar um "Pai Nosso" dentro da missa. Esta oração adquire uma profundidade especial neste momento. O gesto do sacerdote, com as mãos abertas e levantadas, é um convite a adotar uma atitude confiante de invocação. As petições ressoam de maneira diferente quando vamos à Comunhão: «Dá-nos pão» e alimenta a nossa vida nesta comunhão; «Venha o teu reino» e Cristo venha a esta comunidade; «perdoa-nos as nossas ofensas» e prepara-nos para receber o teu Filho...
 
A preparação continua com o abraço da paz, um gesto sugestivo e cheio de força, que nos convida a romper o isolamento, as distâncias e a falta de solidariedade egoísta. O rito, precedido por uma dupla oração pedindo paz, não é simplesmente um gesto de amizade. Expressa o compromisso de viver difundindo «a paz do Senhor», curando feridas, eliminando ódios, reacendendo o sentido da fraternidade, despertando a solidariedade.
 
A invocação «Senhor, não sou digno(a)...», pronunciada com fé humilde e com o desejo de viver mais fielmente a Jesus, é o último gesto antes de nos aproximarmos cantando para receber o Senhor. A mão estendida e aberta expressa a atitude de quem, pobre e desamparado, se abre para receber o pão da vida.
 
O silêncio agradecido e confiante que nos torna conscientes da proximidade de Cristo e da sua presença viva em nós, a oração de toda a comunidade cristã e a última bênção não põem fim à comunhão, mas dizem: «Recebeste de graça, dá de graça». E assim, participando da Comunhão mais profundamente, a nossa fé é reafirmada!
 
José Antonio Pagola, em Comulgar con Jesús

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