Do Evangellho segundo São Lucas (Lc 1, 39-56): Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre.»
Cinco passos da devoção a Maria com base nos Evangelhos
Os quatro Evangelhos apresentam a Virgem com traços que podem
reavivar a nossa devoção a Maria, a Mãe de Jesus. A sua visão ajuda-nos a amá-La,
meditá-La, imitá-La, rezá-La e confiar Nela com espírito novo e mais
evangélico.
Maria é a grande crente
É a primeira seguidora de Jesus. É a mulher que sabe meditar
no seu coração os atos e as palavras do seu Filho. É a profetisa que canta a
Deus, salvador dos pobres, anunciado por Ele. É a mãe fiel que permanece junto
ao seu Filho perseguido, condenado e executado na cruz. É a testemunha de
Cristo ressuscitado, que acolhe junto aos discípulos o Espírito que acompanhará
sempre a Igreja de Jesus.
O nosso «Magnificat»
O Evangelista Lucas, por outro lado, convida-nos a fazer
nosso o canto de Maria, para nos deixarmos guiar pelo seu espírito até Jesus,
pois no «Magnificat» brilha em todo o seu esplendor a fé de Maria e a sua
identificação maternal com o seu Filho Jesus.
Maria começa por proclamar a grandeza de Deus: «O meu
espírito alegra-se em Deus, meu salvador, porque olhou a humilhação da sua
escrava.»
Maria é feliz porque Deus pôs o seu olhar na sua pequenez.
Assim é Deus com os simples.
Maria canta-o com o mesmo êxtase com que Jesus bendiz ao
Pai, porque se revela «aos simples». A fé de Maria no Deus dos pequenos faz-nos
sintonizar com Jesus.
Maria proclama Deus «Poderoso» porque «a Sua misericórdia
chega aos Seus fiéis de geração em geração». Deus coloca o Seu poder ao serviço
da compaixão. A Sua misericórdia acompanha todas as gerações. O mesmo prega
Jesus: Deus é misericordioso com todos. Por isso diz aos seus discípulos de
todos os tempos: «Sede misericordiosos como o Vosso Pai é misericordioso.»
Desde o seu coração de mãe, Maria capta como ninguém a
ternura de Deus Pai e Mãe, e introduz-nos no núcleo da mensagem de Jesus: Deus
é amor compassivo.
Maria proclama também ao Deus dos pobres porque «derruba do
trono os poderosos» e os deixa sem poder para oprimir; pelo contrário,
«enaltece os humildes» para que recobrem a sua dignidade. Aos ricos
reclama-lhes o que foi roubado aos pobres e «despede-os vazios»; pelo
contrário, aos famintos «enche-os de coisas boas» para que desfrutem de uma
vida mais humana. O mesmo gritava Jesus: «Os últimos serão os primeiros.» Maria
leva-nos a acolher a Boa Nova de Jesus: Deus é dos pobres.
Maria ensina-nos como ninguém a seguir Jesus, anunciando o
Deus da compaixão, trabalhando por um mundo mais fraterno e confiando no Pai
dos pequenos.
José Antonio Pagola, em Periodista Digital
tradução Antonio M. Á. Perez
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