O monge italiano Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de
Bose, em artigo publicado no jornal La Repubblica,
reflete sobre os dados estatísticos acerca do fenómeno religioso. Estes dados
dizem que, «em poucos anos, o interesse pela religião e, consequentemente, pela
Igreja diminuiu significativamente: religião e Igreja são realidades cada vez menos empolgantes,
o cristianismo parece cada vez menos eloquente e a Igreja está a perder a sua
qualidade de referência, de autoridade universal».
Enzo Bianchi reconhece que «o crente cristão sofre com essa
redução, na qual não apenas desaparece a cristandade, mas a comunidade cristã
corre o risco de deixar de ser relevante». Isto num tempo em que «a Igreja,
pelo menos na voz e nos atos do Papa Francisco, tornou-se mais missionária,
mais capaz de dialogar e apresentar a fé de uma forma que a torna uma "boa
notícia"», acentua o monge.
Bianchi situa-se ao lado «dos cristãos que tentam viver o
Evangelho nas comunidades da Igreja», que «se sentem desorientados ao medir a sua
impotência para serem significativos hoje, porque não temem se tornar uma
minoria, mas gostariam de ser uma minoria significativa, sal da terra e
fermento na massa da história do mundo».
Um fenómeno claro
O monge Enzo Bianchi elege um fator para este fenómeno: «É
preciso deixar claro: se há um afastamento do Cristianismo, não há uma migração
para outras fontes de vida, há apenas uma adesão à maré da indiferença.» O que,
no entender dele, «isso não é uma aquisição positiva para a Humanidade».
Uma novidade no povo católico
Uma análise àqueles que declaram uma prática religiosa
assídua e regular, constata que entre eles o ensinamento da Igreja é
predominantemente considerado útil, mas não essencial, porque cada um deve agir
de acordo com sua consciência.
Ora, o desenvolvimento da consciência individual, o
exercício de um discernimento pessoal dotado de autoridade, que orienta
decisões e ações, em si não é mau. Pelo contrário. O problema é quando a
consciência humana, em particular a do crente, não escuta o Evangelho.
O fator fé e consciência
Num mundo que se afasta do Evangelho, então, ser comunidade
crente, Família de Deus, discípulos de Cristo, ser uma minoria significativa, ser
sal da terra e fermento, isso requer «uma fé pensada, requer tornar-se responsáveis
na comunidade cristã, redescobrir a paixão da fé. Porque o que realmente ameaça
a Igreja hoje é a fraqueza da fé e a falta de uma verdadeira fraternidade
vivida entre aqueles que se dizem discípulos de Jesus», opina o monge italiano
Enzo Bianchi.
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