Sete grandes perguntas a partir da mensagem de Jesus Cristo sobre o fim (finalidade) do mundo e do ser humano
Os discursos apocalípticos sobre «o fim do mundo» em Jesus Cristo são uma mensagem esperançosa, pois Ele anuncia o nascimento de um mundo novo: «Verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens com grande poder e glória. (...) Cobrai ânimo e levantai a cabeça, porque a vossa redenção está próxima.» (Mt 24, 29-31; Mc 13, 24-27; Lc 21, 25-28)
Na Bíblia, «redenção» significa «libertação, reabilitação, reparo, salvação». É o ato de adquirir de novo, de resgatar, de renovar, em que alguém é reerguido, reconquista dignidade ou supera uma condição indesejada. Redimir é livrar, salvar alguém de uma situação aflitiva ou perigosa. A locução adverbial “sem redenção” significa irremediavelmente, inevitável, infalível.
O mundo em crise mortal
Ao homem contemporâneo preocupa-o a «crise ecológica». Mas não se trata só de uma crise do ambiente natural. É uma crise da própria humanidade, uma crise global da vida neste planeta, uma crise mortal não só para o ser humano, mas para os outros seres que a sofrem desde há algum tempo.
Pouco a pouco, começamos a dar-nos conta de que nos metemos num beco sem saída, colocando em crise todo o sistema de vida do mundo.
Hoje, «progresso» não é uma palavra de esperança como era no século passado, pois teme-se cada vez mais que o progresso termine servindo já não a vida, mas sim a morte.
A humanidade começa a ter o pressentimento de que não pode ser acertado um caminho que conduz a uma crise global, desde a extinção dos bosques até à propagação das neuroses, desde a poluição das águas até ao «vazio existencial» de tantos habitantes de cidades massificadas.
Para deter o «desastre» é urgente mudar de rumo. Não basta substituir as tecnologias «sujas» por outras «mais limpas» ou a industrialização «selvagem» por uma mais «civilizada».
São necessárias mudanças profundas nos interesses que hoje orientam o desenvolvimento e o progresso das tecnologias.
Aqui começa o drama do homem moderno. As sociedades não se mostram capazes de introduzir mudanças decisivas no seu sistema de valores e de sentido. Os interesses económicos imediatos são mais fortes do que qualquer outra abordagem. É melhor desdramatizar a crise, desqualificar «os quatro ambientalistas exaltados» e encorajar a indiferença.
As grandes perguntas para hoje
Não é chegado o momento de nos colocarmos as grandes questões que nos permitam recuperar o «sentido global» da existência humana sobre a Terra e de aprender a viver uma relação mais pacífica entre os homens e com a criação inteira?
O que é o mundo? Um «bem sem dono» que nós homens podemos explorar de forma impiedosa e sem qualquer consideração ou a casa que o Criador nos dá para torná-la cada dia mais habitável?
O que é o cosmos? Uma matéria-prima que podemos manipular à vontade ou a criação de um Deus que, através do seu Espírito, vivifica tudo e conduz «os céus e a terra» à sua consumação definitiva?
O que é o ser humano? Um ser perdido no cosmos, lutando desesperadamente contra a Natureza, mas destinado a extinguir-se sem remédio, ou um ser chamado por Deus a viver em paz com a criação, colaborando na orientação inteligente da vida para a sua plenitude no Criador?
José Antonio Pagola, em Grupos de Jesus
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