Diz o Evangelho de São Lucas que o apóstolo Pedro, oprimido
pela sua indignidade, atira-se aos
pés de Jesus dizendo: «Afasta-te de mim, Senhor, porque sou pecador» (Lucas 5,
8). A resposta de Jesus não podia ser outra: «Não temas» (Lucas 5, 10), não
tenhas medo de ser pecador e de estar comigo. Este é o destino do crente: sabe
que é pecador, mas sabe ao mesmo tempo que é acolhido, compreendido e amado
incondicionalmente por esse Deus revelado em Jesus.
A «culpa católica»
A síndrome de culpa católica manifesta-se como um sentimento de culpa excessiva, sentida tanto por católicos praticantes quanto por católicos não praticantes. É excessiva e negativa no geral.
Exemplo:
Uma pessoa, diante de Deus, sente-se naturalmente fraca.
Mas uma pessoa com síndrome de culpa sente-se fracassada.
Todavia, na realidade, Deus tem por cada pessoa um fraquinho.
O que é a culpa?
A culpa, como tal, não é algo inventado pelas religiões. Constitui uma das experiências humanas mais antigas e universais. Antes que aflore o sentimento religioso, pode-se advertir no ser humano essa sensação de «ter falhado» em alguma coisa. O problema não é a experiência da culpa, mas a forma de lidar com ela.
Existe uma forma saudável de viver com a culpa. A
pessoa assume a responsabilidade pelas suas ações, lamenta os danos que possa
ter causado e esforça-se por melhorar no futuro o seu comportamento. Vivida
assim, a experiência da culpa faz parte do crescimento da pessoa rumo à
maturidade.
Mas há também formas pouco sãs de viver a culpa. A pessoa fecha-se na sua indignidade, alimenta sentimentos infantis de mancha e sujidade, destrói a sua autoestima e anula-se a si própria. O indivíduo atormenta-se, humilha-se, luta consigo próprio, mas no final de todos os seus esforços não se liberta nem cresce como pessoa.
A maneira cristã de viver a culpa
O próprio do cristão é viver a sua experiência de culpa diante de um Deus que é amor e só amor. O crente reconhece que foi infiel a esse amor. Isto dá à sua culpa um peso e uma seriedade absolutos. Mas ao mesmo tempo liberta-o do afundamento, pois sabe que, mesmo sendo pecador, é aceite por Deus: nele pode sempre encontrar a misericórdia que salva de toda a indignidade e fracasso.
Mas há também formas pouco sãs de viver a culpa. A pessoa fecha-se na sua indignidade, alimenta sentimentos infantis de mancha e sujidade, destrói a sua autoestima e anula-se a si própria. O indivíduo atormenta-se, humilha-se, luta consigo próprio, mas no final de todos os seus esforços não se liberta nem cresce como pessoa.
A maneira cristã de viver a culpa
O próprio do cristão é viver a sua experiência de culpa diante de um Deus que é amor e só amor. O crente reconhece que foi infiel a esse amor. Isto dá à sua culpa um peso e uma seriedade absolutos. Mas ao mesmo tempo liberta-o do afundamento, pois sabe que, mesmo sendo pecador, é aceite por Deus: nele pode sempre encontrar a misericórdia que salva de toda a indignidade e fracasso.
José Antonio Pagola, em Grupos de Jesus
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