O Natal reúne uma riqueza extraordinária de símbolos, muitos
deles com raízes anteriores ao Cristianismo e que, ao longo dos séculos, foram
assumidos, transformados e iluminados pela fé cristã. Cada elemento — da árvore
à estrela, do azevinho às luzes, dos Magos aos presentes — conta uma história e
aponta para o grande mistério da Encarnação.
1. O Presépio
Introduzido por São Francisco de Assis em 1223, o presépio espalhou-se rapidamente pela Europa. É uma encenação sagrada que apresenta o mistério da Encarnação: Deus que entra na história numa família e de forma pobre e simples. As figuras — pastores, animais, família de Nazaré, Magos — representam a humanidade inteira acolhendo o Salvador.
2. A Estrela de Belém
Colocada no topo da árvore ou nos presépios, a estrela
recorda a que guiou os Magos até ao Menino Jesus. Simboliza a luz de Deus que
conduz a humanidade e o brilho da esperança em tempos de escuridão. A estrela
de Belém é uma estrela de oito pontas lembrando a Rosa dos Ventos… a luz
erradia para todos os pontos da Terra.
3. Luzes e Velas
Originariamente, as árvores eram iluminadas com velas. Este
costume liga-se à liturgia do Advento, onde a luz anuncia a vinda de Cristo.
Com o advento da eletricidade, surgiram as luzes coloridas, mantendo a
simbologia central: Cristo é a luz do mundo que vence as trevas.
4. Anjos
Os anjos são figuras incontornáveis nos Evangelhos do Natal:
anunciam a Maria, tranquilizam José, proclamam aos pastores a alegria do
nascimento. Por isso aparecem nas árvores, portas, casas e presépios como
mensageiros de Deus e sinais de proteção.
5. A Árvore de Natal
A árvore tem origem em tradições dos povos germânicos e nórdicos, que decoravam árvores verdes no inverno para celebrar a vida que resiste ao frio. Na Idade Média, peças sobre Adão e Eva usavam o “pinheiro do Paraíso”, decorado com maçãs, como símbolo da criação. No século XVI, na Alemanha, a árvore decorada dentro de casa passou a representar a Árvore da Vida e tornou-se sinal cristão de esperança. Espalhou-se pela Europa e, no século XIX, pelo mundo.
6. A Coroa do Advento
Criada em 1839 pelo pastor luterano Johann Hinrich Wichern,
a coroa do Advento nasceu como ferramenta pedagógica para ensinar às crianças o
ritmo da espera do Natal. Os ramos verdes simbolizam a esperança que não morre,
o círculo refere a eternidade de Deus e as quatro velas marcam os quatro
domingos do Advento. À medida que se acendem, a luz cresce, lembrando que
Cristo aproxima-se como Luz do mundo. As três velas roxas e a vela rosa
(Domingo Gaudete) destacam o caráter penitencial e alegre do tempo.
7. O Azevinho
Planta sempre-verde, o azevinho era, nas culturas
pré-cristãs, sinal de proteção e boa sorte. No cristianismo, ganhou novos
significados: as folhas pontiagudas evocam a coroa de espinhos; as bagas
vermelhas, o sangue da Paixão; o verde eterno, a vida que vence a morte.
Tornou-se comum nas tradições inglesas e, depois, universais.
8. As Meias ou Sapatinhos de Natal
A tradição das meias vem das antigas histórias de São
Nicolau, o bispo generoso do século IV. Segundo a lenda, ao saber da pobreza de
um pai com três filhas, lançou moedas de ouro pela chaminé para lhes permitir o
casamento — e o ouro caiu dentro das meias que secavam ao fogo. Daí nasce o
costume das crianças deixarem meias (ou sapatinhos, no Norte da Europa) à
espera de pequenos presentes.
9. A Bengala Doce (Candy Cane)
Criada na Alemanha no século XVII, a bengala doce nasceu
como um doce branco em forma de cajado, distribuído às crianças durante as
missas de Natal. No século XIX, ganhou as faixas vermelhas. Com o tempo,
tornou-se um símbolo catequético:
• o branco representa
a pureza de Cristo;
• o vermelho, o seu
amor e entrega;
• o formato de “J”
evoca Jesus;
• a forma de cajado
lembra o Bom Pastor.
10. Os Reis Magos e os Presentes
Os Magos — sábios do Oriente — representam todas as nações
que se aproximam de Cristo. Tornaram-se “reis” na tradição cristã entre os
séculos III e VI e, mais tarde, receberam os nomes Gaspar, Melchior e Baltazar.
A sua viagem simboliza a busca humana por Deus, guiada pela luz da fé.
Os seus presentes têm profundo significado:
• Ouro: reconhece
Jesus como Rei.
• Incenso: proclama a
sua divindade.
• Mirra: anuncia a
sua paixão e morte, revelando que o Natal aponta já para a Páscoa.
A troca de presentes no Natal inspira-se nesta tradição e,
sobretudo, no gesto de Deus que Se oferece ao mundo.
11. Ceia de Natal
É uma das tradições e um dos símbolos mais importantes do Natal, remetendo para a ideia de união e fraternidade que são marcas da festa.
12. Sinos de Natal
Simbolizam o anúncio do nascimento de Jesus, a convocação para a celebração da alegria e da esperança na Eucaristia - a sua função está ligada ao toque dos sinos das igrejas -, e o chamamento para a reunião familiar.
13. Cantatas de Natal
Uma cantata de Natal é uma apresentação musical que combina canto coral, solistas e acompanhamento instrumental para celebrar o nascimento de Jesus Cristo. Geralmente, a letra é baseada em textos da Bíblia e narra episódios relacionados com esse evento, com o objetivo de expressar a fé, a alegria e os valores cristãos associados ao Natal.
Conclusão
Cada símbolo natalício — antigo ou moderno, popular ou
litúrgico — revela algum aspeto do grande mistério do Natal: a luz que cresce,
a vida que renasce, o Deus que se faz próximo, a humanidade que O busca, a
alegria que se partilha. Redescobrir a história destes sinais é reencontrar,
ano após ano, o coração do Natal cristão: “O Verbo fez-Se carne e habitou entre
nós” (João 1, 14).
Sérgio Carvalho e Fernando Félix
Bom Ano 🎉 com muita saúde.
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