13 dicas para entender a História e o simbolismo das tradições e decorações de Natal

O Natal reúne uma riqueza extraordinária de símbolos, muitos deles com raízes anteriores ao Cristianismo e que, ao longo dos séculos, foram assumidos, transformados e iluminados pela fé cristã. Cada elemento — da árvore à estrela, do azevinho às luzes, dos Magos aos presentes — conta uma história e aponta para o grande mistério da Encarnação.

1. O Presépio
Introduzido por São Francisco de Assis em 1223, o presépio espalhou-se rapidamente pela Europa. É uma encenação sagrada que apresenta o mistério da Encarnação: Deus que entra na história numa família e de forma pobre e simples. As figuras — pastores, animais, família de Nazaré, Magos — representam a humanidade inteira acolhendo o Salvador.

2. A Estrela de Belém
Colocada no topo da árvore ou nos presépios, a estrela recorda a que guiou os Magos até ao Menino Jesus. Simboliza a luz de Deus que conduz a humanidade e o brilho da esperança em tempos de escuridão. A estrela de Belém é uma estrela de oito pontas lembrando a Rosa dos Ventos… a luz erradia para todos os pontos da Terra.

3. Luzes e Velas
Originariamente, as árvores eram iluminadas com velas. Este costume liga-se à liturgia do Advento, onde a luz anuncia a vinda de Cristo. Com o advento da eletricidade, surgiram as luzes coloridas, mantendo a simbologia central: Cristo é a luz do mundo que vence as trevas.

4. Anjos
Os anjos são figuras incontornáveis nos Evangelhos do Natal: anunciam a Maria, tranquilizam José, proclamam aos pastores a alegria do nascimento. Por isso aparecem nas árvores, portas, casas e presépios como mensageiros de Deus e sinais de proteção.

5. A Árvore de Natal
A árvore tem origem em tradições dos povos germânicos e nórdicos, que decoravam árvores verdes no inverno para celebrar a vida que resiste ao frio. Na Idade Média, peças sobre Adão e Eva usavam o “pinheiro do Paraíso”, decorado com maçãs, como símbolo da criação. No século XVI, na Alemanha, a árvore decorada dentro de casa passou a representar a Árvore da Vida e tornou-se sinal cristão de esperança. Espalhou-se pela Europa e, no século XIX, pelo mundo.

6. A Coroa do Advento
Criada em 1839 pelo pastor luterano Johann Hinrich Wichern, a coroa do Advento nasceu como ferramenta pedagógica para ensinar às crianças o ritmo da espera do Natal. Os ramos verdes simbolizam a esperança que não morre, o círculo refere a eternidade de Deus e as quatro velas marcam os quatro domingos do Advento. À medida que se acendem, a luz cresce, lembrando que Cristo aproxima-se como Luz do mundo. As três velas roxas e a vela rosa (Domingo Gaudete) destacam o caráter penitencial e alegre do tempo.

7. O Azevinho
Planta sempre-verde, o azevinho era, nas culturas pré-cristãs, sinal de proteção e boa sorte. No cristianismo, ganhou novos significados: as folhas pontiagudas evocam a coroa de espinhos; as bagas vermelhas, o sangue da Paixão; o verde eterno, a vida que vence a morte. Tornou-se comum nas tradições inglesas e, depois, universais.

8. As Meias ou Sapatinhos de Natal
A tradição das meias vem das antigas histórias de São Nicolau, o bispo generoso do século IV. Segundo a lenda, ao saber da pobreza de um pai com três filhas, lançou moedas de ouro pela chaminé para lhes permitir o casamento — e o ouro caiu dentro das meias que secavam ao fogo. Daí nasce o costume das crianças deixarem meias (ou sapatinhos, no Norte da Europa) à espera de pequenos presentes.

9. A Bengala Doce (Candy Cane)
Criada na Alemanha no século XVII, a bengala doce nasceu como um doce branco em forma de cajado, distribuído às crianças durante as missas de Natal. No século XIX, ganhou as faixas vermelhas. Com o tempo, tornou-se um símbolo catequético:
 • o branco representa a pureza de Cristo;
 • o vermelho, o seu amor e entrega;
 • o formato de “J” evoca Jesus;
 • a forma de cajado lembra o Bom Pastor.

10. Os Reis Magos e os Presentes
Os Magos — sábios do Oriente — representam todas as nações que se aproximam de Cristo. Tornaram-se “reis” na tradição cristã entre os séculos III e VI e, mais tarde, receberam os nomes Gaspar, Melchior e Baltazar. A sua viagem simboliza a busca humana por Deus, guiada pela luz da fé.
Os seus presentes têm profundo significado:
 • Ouro: reconhece Jesus como Rei.
 • Incenso: proclama a sua divindade.
 • Mirra: anuncia a sua paixão e morte, revelando que o Natal aponta já para a Páscoa.
A troca de presentes no Natal inspira-se nesta tradição e, sobretudo, no gesto de Deus que Se oferece ao mundo.

11. Ceia de Natal
É uma das tradições e um dos símbolos mais importantes do Natal, remetendo para a ideia de união e fraternidade que são marcas da festa.

12. Sinos de Natal
Simbolizam o anúncio do nascimento de Jesus, a convocação para a celebração da alegria e da esperança na Eucaristia - a sua função está ligada ao toque dos sinos das igrejas -, e o chamamento para a reunião familiar.

13. Cantatas de Natal
Uma cantata de Natal é uma apresentação musical que combina canto coral, solistas e acompanhamento instrumental para celebrar o nascimento de Jesus Cristo. Geralmente, a letra é baseada em textos da Bíblia e narra episódios relacionados com esse evento, com o objetivo de expressar a fé, a alegria e os valores cristãos associados ao Natal.
 
Conclusão
Cada símbolo natalício — antigo ou moderno, popular ou litúrgico — revela algum aspeto do grande mistério do Natal: a luz que cresce, a vida que renasce, o Deus que se faz próximo, a humanidade que O busca, a alegria que se partilha. Redescobrir a história destes sinais é reencontrar, ano após ano, o coração do Natal cristão: “O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós” (João 1, 14).

Sérgio Carvalho e Fernando Félix

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