O mais novo foi embora para experimentar os sabores da vida.
Algum tempo depois, o pai, sentindo saudade, chamou o filho
mais velho e fez-lhe um pedido:
– Filho, vai buscar o teu irmão. Estou com saudades dele.
Esse era o filho que qualquer pai gostaria de ter: obediente
e responsável. Para atender ao desejo do pai, ele pôs-se a caminho. Viajou durante
muitos dias e visitou muitos lugares, mas sem sucesso. Estava prestes a voltar
para casa quando, numa manhã, foi acordado pelo barulho de uma multidão. Havia
gritos por toda a parte. O rapaz seguiu a turba e perguntou a alguém o que
estava a acontecer.
– Vão julgar um delinquente na praça. Se ele for condenado,
será executado hoje mesmo.
Curioso, o rapaz quis saber o que ia acontecer.
Introduziu-se na multidão. De repente, todos ficaram em
silêncio. Num palco, a muitos metros de distância, um rapaz seria julgado. O
juiz fez-lhe a primeira pergunta:
– Diante das acusações, você declara-se culpado ou inocente?
Entre lágrimas, veio a confissão:
– Sou culpado.
O juiz fez outra pergunta:
– Você tem algum familiar a quem deseja enviar uma mensagem?
O rapaz respondeu:
– Tenho o meu pai e um irmão. Gostaria que dissessem ao meu
pai que me arrependo de todos os meus erros e que o amo.
O juiz, dirigindo-se à multidão, parecendo apenas cumprir uma
formalidade, indagou:
– Sabendo que este rapaz tem uma família que o espera,
haveria alguém disposto a morrer no seu lugar?
Para surpresa de todos, alguém levantou a mão. Era o irmão
mais velho que, reconhecendo a voz do irmão mais novo, foi abrindo caminho até
ele.
Com espanto, o irmão mais novo argumentou:
– Os erros são meus, os crimes são meus. Tu não podes morrer
em meu lugar.
Mas as palavras do mais velho foram:
– O pai pediu-me para te levar para casa, e, se a única
forma de te levar for morrendo em teu lugar, eu morro.
Então, o juiz mandou que o filho mais velho fosse
crucificado.
E o último grito de Jesus na cruz foi
– Tetelestai!
«Tetelestai» é uma palavra grega (τετέλεσται) que significa
«Está consumado» ou «Está pago». Foi a última expressão dita por
Jesus Cristo na cruz, de acordo com o Evangelho de João (João 19, 30). O termo
tinha um significado profundo, indicando o cumprimento de uma dívida, seja numa
transação comercial, num processo judicial ou na conclusão de uma obra, e por
isso, no contexto da crucificação, significava que a dívida dos pecados da Humanidade
estava totalmente paga.
Fonte: Meditação Jovem
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