Uma história inspiradora: As sandálias do menino Jesus

Nazaré acordava devagar, com o cheiro a pão quente e o murmúrio das primeiras ovelhas a sair dos currais.

O Menino Jesus, com uns 6 anos, preparava-se para acompanhar José até às colinas, onde ele cortaria madeira e recolheria ramos.
 
Maria, sempre atenta, chamou-o junto de si.
 
— Yeshua, vem calçar as sandálias. O caminho hoje é pedregoso.
 
E tirou de uma pequena cesta um par de sandálias feitas à mão. O couro era simples, mas forte; José tinha-as moldado para os pés pequeninos do Filho, com todo o cuidado de pai adoptivo.
 
Jesus pegou nelas, virou-as entre os dedos e sorriu.
 
— Mãe… mas eu gosto de sentir a terra nos pés.
 
Maria, com aquela ternura que só as mães conhecem, inclinou-se e respondeu:
 
— Sim, meu Filho… mas há caminhos que ferem. E há pedras que cortam. Deus também usa sandálias para caminhar connosco.
 
Jesus ficou pensativo.
Depois calçou-as, obediente, e deu dois passos. O couro moldava-se ao pé como se o reconhecesse.
 
Enquanto caminhavam, Jesus observava tudo: a erva que se inclinava ao vento, as formigas que transportavam migalhas, as pedras redondas que brilhavam ao sol.
 
De repente, encontrou um amigo — Elias — choroso, sentado na beira do caminho. O menino tinha os pés feridos, arranhados e empoeirados.
 
— O que aconteceu, Elias? — perguntou Jesus.
 
— Perdi as minhas sandálias no rio… e agora dói… e não consigo voltar para casa.
 
Jesus olhou para os pés do amigo… e, sem dizer uma palavra, tirou as suas próprias sandálias.
 
Ajoelhou-se, calçou-as nos pés magoados de Elias e disse, com um sorriso que era mais bálsamo do que qualquer remédio:
 
— Os teus passos são mais importantes do que os meus. Anda, eu acompanho-te.
 
E assim foi.
Elias caminhou seguro, protegido.
Jesus caminhou descalço — e sentiu todas as pedras, todos os espinhos, todos os calhaus quentes do caminho.
 
Ao chegar a casa, Maria viu os pés do Filho — vermelhos, poeirentos, marcados.
 
— Jesus… doeu-te?
 
Ele abraçou-a, com a serenidade de quem já compreendia o amor até ao fundo:
 
— Mãe… se não doer, não é amor.
 
Maria, com o coração a transbordar, percebeu naquele instante que aquelas sandálias pequeninas anunciavam algo muito maior: os passos de Jesus seriam sempre assim — passos que consolam, passos que protegem, passos que se gastam pelos outros.


Lição de amor e entrega
As sandálias do Menino Jesus recordam-nos que amar é caminhar pelo outro, mesmo que isso nos custe.
Quem ama, protege. Quem ama, alivia. Quem ama, dá os próprios passos para que o outro possa avançar.
Porque todo caminho vivido com amor conduz ao coração de Deus.

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