Jesus não precisava de transfigurar-Se. Ele, com a Sua Luz e a Palavra do Pai, transfigurou os desfigurados

No Evangelho de Mateus, a glória humana apresenta-se como uma tentação (Mateus 4, 1-11 – as tentações de Jesus) e a glória dos filhos de Deus apresenta-se-nos como a coisa mais divina do mundo (Mateus 17, 1-9 – a transfiguração de Jesus).
 
Jesus viveu constantemente transfigurado, mas não se manifestava externamente com sintomas espetaculares. A sua humanidade e divindade expressavam-se cada vez que se aproximava de uma pessoa para a ajudar a ser ela mesma. A única luz que transforma Jesus é a do amor e só quando manifesta esse amor é que ilumina. No humano, Deus se torna transfigurante.
 
Jesus levou consigo para o Monte da Transfiguração três discípulos: a experiência interior é sempre individual, mas a sua intenção é ser coletiva, é transbordar, transcender para os outros. É assim que podemos entender o rosto resplandecente de Jesus: a glória de Deus comunica-se àqueles que estão perto Dele.
 
A luz é na Bíblia símbolo da presença criadora de Deus, fonte de vida. No livro dos Génesis, a primeira coisa que Deus cria é a luz e, a partir daí, é possível a criação e a ordem na criação.
 
Também a nuvem é símbolo de Deus, da sua proteção. No êxodo, acompanhava os israelitas pelo deserto, protegia-os durante o dia e iluminava-os à noite.
 
Moisés e Elias são a Lei e os Profetas em diálogo com Jesus. O Evangelho é a continuação do Antigo Testamento, mas superando-o.
 
A voz do Alto: a palavra foi sempre a expressão da vontade de Deus. «Ouçam-no!» é a chave da história humana. Só a Ele, nem mesmo a Moisés e Elias.
 
O medo: perante a presença do divino, as pessoas tendem a sentir pânico, até medo de morrer. Todavia. Não há razões para isso e não será por acaso que, na Bíblia, está escrito 365 vezes «não temas».
 
Transfigurar os desfigurados
Jesus não precisou de se transfigurar, porque nunca esteve desfigurado. Sempre foi o que era. Nós, que estamos desfigurados, temos de nos configurar segundo Jesus e, portanto, transfigurar-nos. A figura mudará quando o essencial aparecer em mim.
 
Todos nós temos essa mesma energia transbordante, mas, normalmente, estamos desfigurados porque estamos na superfície, pendentes e apegados ao que não somos. Bastaria configurar-nos de acordo com o nosso verdadeiro ser para que essa harmonia aparecesse. Não se trata de conseguir nada, mas simplesmente de ser o que somos.
 
A transfiguração diz-nos quem era realmente Jesus e o que somos nós.
Sai do teu ego e entra nos caminhos do Espírito!
Entra dentro de ti e encontrarás o teu centro.
Pede a Deus que te liberte de todos os deuses.
 
Baseado em Fray Marcos, no site Fé Adulta

Comentários