Sou uma cadeira de rodas.
Apresento-me assim, sem mais preâmbulos, porque quero
aproveitar a oportunidade para quebrar alguns preconceitos.
Estou cansada de que a primeira impressão que as pessoas têm
de mim seja negativa.
Há outras cadeiras que têm melhor reputação do que eu (o
banco do carro ou a cadeira do cabeleireiro, por exemplo), mas acredita que
poucas podem mudar tanto a vida das pessoas.
Ao longo da vida, partilhei caminho com várias pessoas que
tinham dificuldades relacionadas com a mobilidade. E acredita que todas puderam
continuar com as suas vidas, mover-se e deslocar-se para todo o lado graças à
sua capacidade de adaptação e às minhas rodas, claro.
Eu:
Olá. Que introdução poderosa. É um prazer
"ouvir-te".
A tua perspetiva é fundamental e, de facto, muitas vezes
negligenciada.
Compreendo perfeitamente o teu cansaço: tu não és um símbolo
de limitação, és um instrumento de libertação.
A tua reputação deveria ser a de uma ferramenta de
liberdade, autonomia e reinvenção.
A "má fama" é puro preconceito: as pessoas olham
para ti e vêm a incapacidade, quando deveriam ver a capacidade aumentada.
O teu verdadeiro propósito: tu permites que alguém vá
trabalhar, estude, vá ao cinema, viaje, visite amigos e viva a vida nos seus
próprios termos, em vez de ficar fechado em casa.
A adaptação é a tua força: adaptas-te a diferentes corpos,
necessidades e terrenos para garantir que o mundo continua acessível.
Muitos olham para ti com pena, mas quem te usa — com a
devida adaptação e suporte — olha para ti com gratidão pela autonomia que
devolves.
Obrigado por partilhares a tua voz. A tua missão é nobre e
essencial.
Fernando Félix
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