«Quem és tu, Jesus Cristo, para que eu acredite em ti?» - homilia sobre o Evangelho de São João 9, 1-41: a cura do cego de nascença

O trecho do Evangelho de São João 9, 1-41 – a cura do cego de nascença – propõe uma pergunta que nos parece óbvia e à qual respondemos com o catecismo, embora o Evangelho peça, talvez, outro tipo de resposta.

Diz o Evangelho: «Jesus, encontrando-o, disse-lhe: “Tu acreditas no Filho do homem?” Ele respondeu-Lhe: “Quem é, Senhor, para que eu acredite n'Ele?” Disse-lhe Jesus: "Já O viste: é quem está a falar contigo." O homem prostrou-se diante de Jesus e exclamou: "Eu creio, Senhor.".»

Pelo Catecismo, nós damos a resposta de Jesus, dizendo que é o Filho de Deus, a segunda pessoa da Trindade, etc.

Mas para ser crente, pede-se outra coisa: como ter experiência de Jesus para poder falar Dele? Como chegar a essa experiência pessoal de Jesus?

Será que podemos responder à pergunta de quem é Jesus dizendo:
– É Alguém vivo com quem me encontrei: não tanto uma verdade, mas uma pessoa, alguém que vive e pulsa ao meu lado. Aquele por quem, sem vergonha, posso estar cativado.

– O melhor companheiro: aquele que sustenta, consola e ilumina. Aquele de quem sinto a proximidade. Aquele com quem falo como se fala com os amigos.

– Aquele que me anima na minha fragilidade: porque experimentei que com Ele a minha força se renova, que a fragilidade é menos difícil de suportar quando descanso Nele, que me anima a compreender o meu lado fraco a partir da paz.

O testemunho dos outros, a Teologia, o catecismo, a pregação, ajudam muito a conhecer Jesus Cristo. Mas tem de haver um momento na nossa vida cristã em que acreditamos pela experiência, porque chegamos a certezas que são nossas, porque temos experiência pessoal daquilo em que acreditamos. É a fé adulta a que devemos aspirar.

Por vezes desanimamo-nos com o declínio da fé cristã na nossa sociedade. Com uma experiência pessoal de Jesus, viveríamos com alegria a nossa fé, mesmo no meio das dificuldades. Encontraríamos novos caminhos e preparar-nos-íamos para os seguir. Iluminaríamos um tempo de fé diferente e atual, sem depender das velhas abordagens ultrapassadas. São estes os benefícios da experiência de Jesus. Por que não os desejar vivamente?

Fidel Aizpurúa Donazar, em Fé Adulta

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