«Uma fé que se comove com as situações alheias é aquela que faz seus os sofrimentos e as alegrias do outro»
O Evangelho de João diz que Jesus, diante do túmulo de Lázaro, COMEÇOU A CHORAR - clicar para ler: Jo 11,
1-45. É a
única passagem do Evangelho em que se vê Jesus a chorar perante a morte de
outra pessoa. Não estamos habituados a ver um Jesus divino, filho de Deus, a
chorar. Mas o texto indica que o caminho de fé de Jesus foi amassado em
lágrimas de humanidade.
Se nos dissessem que a nossa fé também deve ser amassada em
lágrimas, não saberíamos dizer a que isso se refere. Uma fé fria, dogmática, de
ideias, é empobrecedora e acaba por cair na rotina religiosa. Uma fé que se
comove com as situações alheias é aquela que faz seus os
sofrimentos e as alegrias do outro.
Diz o filósofo Emmanuel Lévinas, e é verdade, que a resposta que damos ao
sofrimento do outro faz de nós sujeitos morais, diz que tipo de pessoa somos.
Por isso perguntamo-nos: como viver uma fé com lágrimas?
Porque deveria um crente de hoje chorar?
· Pela situação mundial conturbada de hoje: onde as regras de convivência entre as nações foram
dinamitadas pelo abuso da força de um país que se diz cristão. Já vemos que
isto tem consequências gravíssimas. O nosso choro está mais do que justificado.
· Pela persistência da pobreza: porque temos meios para
erradicar a fome e a pobreza. Os países ricos, entre os quais nos incluímos,
não se decidem a agir. Entretanto, os oprimidos da terra continuam a sofrer e a
morrer em silêncio. Até quando?
· Pelo cataclismo dos abusos sexuais na Igreja Católica:
porque essa fonte de imensa dor continua a jorrar. Porque talvez, com o nosso
silêncio e o nosso desvio do olhar, estejamos a revitimizar aqueles que
sofreram.
Diz o livro de Eclesiastes 4, 1: «Vede as lágrimas dos oprimidos: eles não têm consolador.» Somos
chamados não só a não contribuir para o aumento desse fluxo, mas a enxugar as
lágrimas de quem mais sofre. Todos podemos fazer algo: ouvir, acompanhar,
ajudar. Uma fé que não chora perante a fraqueza humana não pode ser a fé de
Jesus.
O relato joanino diz duas vezes que Jesus «se comoveu no seu
íntimo». É uma comoção provocada pela dureza do ambiente em aceitar que Jesus é
o caminho da vida já no hoje desta história. Estamos às vésperas da Semana
Santa, tempo específico para contemplar o «choro» de um Jesus que se entrega a
nós. Deveríamos viver a fé em «estado de comoção», dispostos a acolher o choro
de Jesus para sermos mais sensíveis ao choro dos outros. Caso contrário, não
corremos o risco de uma celebração superficial?
Fidel Aizpurúa Donazar, em Fé Adulta
Vamos a palavra CO(m)mover! O samaritano comoveu-se com o homem caído na valeta-viu e MOVEU-se para ele, aproximou -se dele, tomou partido por ele, tomou sobre si as dores dele, cuidou dele. Confundir comover com ter pena ou ficar triste, sem tomar qualquer atitude em favor de... é sempre muito pouco...
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