16 pronunciamentos do Papa Leão XIV sobre a paz - preparando a Vigília pela Paz convocada para sábado, 11 de abril, às 21h00
Primeira Bênção Urbi et Orbi do Papa Leão XIV, 8 de maio
de 2025: «A paz esteja com todos vós! Caríssimos irmãos e irmãs, esta é a
primeira saudação de Cristo Ressuscitado, o Bom Pastor, que deu a vida pelo
rebanho de Deus. Também eu gostaria que esta saudação de paz entrasse no vosso
coração, chegasse às vossas famílias, a todas as pessoas, onde quer que se
encontrem, a todos os povos, a toda a terra. A paz esteja convosco!
Esta é a paz de Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, que é humilde e perseverante. Que vem de Deus, do Deus que nos ama a todos incondicionalmente.»
Audiência do corpo diplomático credenciado junto da Santa
Sé, 16 de maio de 2025: «A aspiração da Igreja – e a minha pessoal – é
alcançar e abraçar todos os povos e cada pessoa desta terra, desejosa e
necessitada de verdade, de justiça e de paz!» (Audiência do corpo diplomático
credenciado junto da Santa Sé, 16 de maio de 2025)
[…]
«Paz, Justiça e Verdade – três palavras-chave que constituem os pilares da ação missionária da Igreja.
[…]
Paz: demasiadas vezes pensamos nela como uma mera ausência de guerra e de conflito, visto que o confronto faz parte da natureza humana e acompanha-nos sempre, levando-nos demasiadas vezes a viver num “estado de conflito” constante: em casa, no trabalho, na sociedade. A paz parece então uma simples trégua, uma pausa de repouso entre uma disputa e outra, porque, por mais que nos esforcemos, as tensões estão sempre presentes, um pouco como as brasas a arder sob as cinzas, prontas a reacender-se a qualquer momento.
[…]
Na perspetiva cristã – como na de outras experiências religiosas – a paz é, principalmente, um dom: o primeiro dom de Cristo: «Dou-vos a minha paz» (Jo 14, 27). No entanto, essa paz é um dom ativo e envolvente, que diz respeito e compromete a cada um de nós, independentemente da origem cultural e da filiação religiosa, e que exige, sobretudo, um trabalho sobre si mesmo. A paz constrói-se no coração e a partir do coração, erradicando o orgulho e as pretensões, e medindo a linguagem, pois também com as palavras se pode ferir e matar, não só com as armas.
[…]
Nesta ótica, considero fundamental o contributo que as religiões e o diálogo inter-religioso podem dar para promover contextos de paz. Isto exige, evidentemente, o pleno respeito pela liberdade religiosa em todos os países, uma vez que a experiência religiosa é uma dimensão fundamental da pessoa humana, sem a qual é difícil, se não impossível, alcançar a purificação do coração necessária para construir relações de paz.
A partir deste trabalho, que todos somos chamados a fazer, é possível erradicar as premissas de qualquer conflito ou vontade destrutiva de conquista. Isto exige também uma abertura sincera ao diálogo, animada pelo desejo de encontro e não de confronto. Nesta perspetiva, faz-se necessário dar um novo fôlego à diplomacia multilateral e às instituições internacionais que foram desejadas e concebidas, em primeiro lugar, para remediar as relações conflituosas que possam surgir no seio da comunidade internacional. Naturalmente, também é necessária a vontade de deixar de produzir instrumentos de destruição e morte, porque, como recordou o Papa Francisco na sua última Mensagem Urbi et Orbi: “Não é possível haver paz sem um verdadeiro desarmamento! A necessidade que cada povo sente de garantir a sua própria defesa não pode transformar-se numa corrida generalizada ao armamento”»
Discurso aos movimentos e associações no “Arena da Paz”
(Verona), 30 de maio de 2025: «O caminho para a paz exige corações e mentes
treinados e formados na atenção ao outro e capazes de reconhecer o bem comum no
contexto atual. O caminho que leva à paz é comunitário, passa pelo cuidado de
relações de justiça entre todos os seres vivos.
[…]
Esta paz é possível quando as diferenças e a conflitualidade que elas implicam não são eliminadas, mas reconhecidas, assumidas e atravessadas.
[…]
Se queres a paz, prepara instituições de paz. Cada vez mais nos apercebemos de que não se trata apenas de instituições políticas, nacionais ou internacionais, mas é o conjunto das instituições – educativas, económicas, sociais – que é chamado em causa.»
Discurso aos participantes no jubileu dos governantes, 21
de junho de 2025: «Quem vive em condições extremas clama para que a sua voz
seja ouvida e, muitas vezes, não encontra ouvidos dispostos a escutá-lo. Este
desequilíbrio gera situações de injustiça permanente, que facilmente levam à
violência e, mais cedo ou mais tarde, ao drama da guerra. Por outro lado, uma
boa ação política, favorecendo a justa distribuição dos recursos, pode prestar
um serviço eficaz à harmonia e à paz, tanto a nível social como no âmbito
internacional.»
Homilia no jubileu das famílias, das crianças, dos avós e
dos idosos, 1 de junho de 2025: «A unidade pela qual Jesus reza é uma
comunhão fundada no mesmo amor com que Deus ama, do qual provêm a vida e a
salvação. E, como tal é, primeiramente, um dom que Jesus vem trazer. É, pois, a
partir do seu coração de homem que o Filho de Deus se dirige ao Pai dizendo:
«Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o
mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a eles como a mim» (Jo 17,
23). […] Se nos
amarmos assim, sobre o fundamento de Cristo, seremos sinal de paz para todos na
sociedade e no mundo. E não esqueçamos: das famílias nasce o futuro dos povos.»
Depois do Angelus, 6 de julho de 2025: «A paz
é um desejo de todos os povos e é o grito doloroso daqueles que são dilacerados
pela guerra. Peçamos ao Senhor que toque os corações e inspire as mentes dos
governantes, para que substituam a violência das armas pela busca do diálogo.»
Depois do Angelus, 20 de julho de 2025: «Aos
nossos amados cristãos do Médio Oriente, digo: compreendo bem a vossa sensação
de pouco poder fazer diante desta situação tão dramática. Estais no coração do
Papa e de toda a Igreja. Obrigado pelo vosso testemunho de fé. Que a Virgem
Maria, mulher do Levante, aurora do novo Sol que nasceu na história, sempre vos
proteja e guie o mundo para os alvores da paz.»
Jubileu dos jovens, festa e vigília de oração, Tor
Vergata, 2 de agosto de 2025: «Queridos jovens, amem-se uns aos outros!
Amem-se em Cristo! Saibam ver Jesus nos outros. A amizade pode realmente mudar
o mundo. A amizade é um caminho para a paz.»
Angelus, Tor Vergata, 3 de agosto 2025: «Em
comunhão com Cristo, nossa paz e esperança para o mundo, estamos mais próximos
do que nunca dos jovens que sofrem o pior tipo de mal: aquele que é causado por
outros seres humanos. Estamos com os jovens de todas as terras ensanguentadas
pela guerra. Meus jovens irmãos e irmãs, vós sois o sinal de que um mundo
diferente é possível: um mundo de fraternidade e amizade, onde os conflitos não
são resolvidos com armas, mas com o diálogo.»
Esta é a paz de Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, que é humilde e perseverante. Que vem de Deus, do Deus que nos ama a todos incondicionalmente.»
[…]
«Paz, Justiça e Verdade – três palavras-chave que constituem os pilares da ação missionária da Igreja.
[…]
Paz: demasiadas vezes pensamos nela como uma mera ausência de guerra e de conflito, visto que o confronto faz parte da natureza humana e acompanha-nos sempre, levando-nos demasiadas vezes a viver num “estado de conflito” constante: em casa, no trabalho, na sociedade. A paz parece então uma simples trégua, uma pausa de repouso entre uma disputa e outra, porque, por mais que nos esforcemos, as tensões estão sempre presentes, um pouco como as brasas a arder sob as cinzas, prontas a reacender-se a qualquer momento.
[…]
Na perspetiva cristã – como na de outras experiências religiosas – a paz é, principalmente, um dom: o primeiro dom de Cristo: «Dou-vos a minha paz» (Jo 14, 27). No entanto, essa paz é um dom ativo e envolvente, que diz respeito e compromete a cada um de nós, independentemente da origem cultural e da filiação religiosa, e que exige, sobretudo, um trabalho sobre si mesmo. A paz constrói-se no coração e a partir do coração, erradicando o orgulho e as pretensões, e medindo a linguagem, pois também com as palavras se pode ferir e matar, não só com as armas.
[…]
Nesta ótica, considero fundamental o contributo que as religiões e o diálogo inter-religioso podem dar para promover contextos de paz. Isto exige, evidentemente, o pleno respeito pela liberdade religiosa em todos os países, uma vez que a experiência religiosa é uma dimensão fundamental da pessoa humana, sem a qual é difícil, se não impossível, alcançar a purificação do coração necessária para construir relações de paz.
A partir deste trabalho, que todos somos chamados a fazer, é possível erradicar as premissas de qualquer conflito ou vontade destrutiva de conquista. Isto exige também uma abertura sincera ao diálogo, animada pelo desejo de encontro e não de confronto. Nesta perspetiva, faz-se necessário dar um novo fôlego à diplomacia multilateral e às instituições internacionais que foram desejadas e concebidas, em primeiro lugar, para remediar as relações conflituosas que possam surgir no seio da comunidade internacional. Naturalmente, também é necessária a vontade de deixar de produzir instrumentos de destruição e morte, porque, como recordou o Papa Francisco na sua última Mensagem Urbi et Orbi: “Não é possível haver paz sem um verdadeiro desarmamento! A necessidade que cada povo sente de garantir a sua própria defesa não pode transformar-se numa corrida generalizada ao armamento”»
[…]
Esta paz é possível quando as diferenças e a conflitualidade que elas implicam não são eliminadas, mas reconhecidas, assumidas e atravessadas.
[…]
Se queres a paz, prepara instituições de paz. Cada vez mais nos apercebemos de que não se trata apenas de instituições políticas, nacionais ou internacionais, mas é o conjunto das instituições – educativas, económicas, sociais – que é chamado em causa.»
Audiência Geral, 20 de agosto de 2025: «Quando a luz
do perdão consegue filtrar-se pelas fendas mais profundas do coração,
compreendemos que nunca é inútil. Mesmo que o outro não o aceite, ainda que
pareça vão, o perdão liberta quem o concede: dissolve o ressentimento, devolve
a paz, restitui-nos a nós próprios.»
Homilia, Vigília de oração e rosário pela paz, 11 de
outubro de 2025: «Todos juntos, perseverantes e concordes, não nos cansamos
de interceder pela paz, dom de Deus que deve tornar-se nossa conquista e nosso
compromisso.
Eentre as palavras de Jesus que queremos que não caiam no
esquecimento, uma ressoa de modo particular hoje, nesta vigília de oração pela
paz: aquela que dirigiu a Pedro no horto das oliveiras: «Mete a espada na
bainha» (cf. Jo 18, 11). Desarma as mãos, mas sobretudo o coração. Como já tive
a oportunidade de recordar noutras ocasiões, a paz é desarmada e desarmante.
Não é dissuasão, mas fraternidade; não é ultimato, mas diálogo. Não virá como
fruto de vitórias sobre o inimigo, mas como resultado da disseminação da
justiça e do perdão corajoso.
Mete a espada na bainha é uma palavra dirigida aos poderosos
do mundo, aos que conduzem o destino dos povos: tende a audácia do
desarmamento! Ao mesmo tempo, é dirigida a cada um de nós, para nos tornar cada
vez mais conscientes de que não podemos matar por nenhuma ideia, fé ou
política. O primeiro a ser desarmado é o coração, porque se não há paz em nós,
não daremos paz.
Entre vós não seja assim
Ouçamos ainda o Senhor Jesus: os grandes deste mundo
constroem impérios com poder e dinheiro (cf. Mt 20, 25; Mc 10, 42), «convosco,
não deve ser assim» (Lc 22, 26). Deus não faz desse modo: o Mestre não tem
tronos, mas cinge-se com uma toalha e ajoelha-se aos pés de cada um. O seu
império é aquele pequeno espaço suficiente para lavar os pés dos seus amigos e
cuidar deles.
É também o convite a adotar uma perspetiva diferente, a fim
de observar o mundo a partir de baixo, com os olhos de quem sofre, e não com a
ótica dos grandes; considerar a história sob o prisma dos pequenos, e não com o
dos poderosos; interpretar os acontecimentos da história a partir do ponto de
vista da viúva, do órfão, do estrangeiro, da criança ferida, do exilado, do
fugitivo. Com o olhar de quem naufraga, do pobre Lázaro, jogado à porta do rico
epulão. Caso contrário, nada nunca mudará, e não surgirá um tempo novo, um
reino de justiça e paz.
Felizes sois vós
Fazei tudo o que Ele vos disser. E nós comprometemo-nos a
fazer nossa carne e paixão, história e ação, a grande palavra do Senhor:
«Felizes os pacificadores» (cf. Mt 5, 9).
Felizes sois vós: Deus dá alegria àqueles que produzem amor
no mundo, alegria àqueles que, em vez de vencer o inimigo, preferem a paz com
ele.
Coragem, sigam em frente, vós que criais as condições para
um futuro de paz, na justiça e no perdão; sede mansos e determinados, não
desanimeis. A paz é um caminho e Deus caminha convosco. O Senhor cria e difunde
a paz através dos seus amigos pacificados no coração, que se tornam, por sua
vez, pacificadores, instrumentos da sua paz.
Reunimo-nos esta tarde em oração em torno de Maria, Mãe de
Jesus e nossa Mãe, como os primeiros discípulos no cenáculo. A ela, mulher
profundamente pacificada, rainha da paz, nos dirigimos:
Rezai connosco, Mulher fiel, ventre sagrado do Verbo.
Ensinai-nos a ouvir o clamor dos pobres e da mãe Terra,
atentos aos apelos do Espírito no segredo do coração,
na vida dos irmãos, nos acontecimentos da história,
no gemido e no júbilo da criação.
Santa Maria, mãe dos viventes,
mulher forte, dolorosa, fiel,
Virgem esposa junto à Cruz
onde se consuma o amor e brota a vida,
sede Vós a guia do nosso compromisso em servir.
Ensinai-nos a permanecer convosco junto às infinitas cruzes
onde o vosso Filho ainda está crucificado,
onde a vida está mais ameaçada;
a viver e testemunhar o amor cristão
acolhendo em cada homem um irmão;
a renunciar ao egoísmo opaco
para seguir Cristo, verdadeira luz do homem.
Virgem da paz, porta de esperança segura,
Aceitai a oração dos vossos filhos!»
Discurso, Encontro Internacional da Paz, 28 de outubro de 2025: «Os conflitos estão presentes onde quer que haja vida, mas não é a guerra que ajuda a enfrentá-los, nem a resolvê-los. A paz é um caminho permanente de reconciliação. Agradeço-vos por terem vindo aqui orar pela paz, mostrando ao mundo o quanto a oração é determinante. Realmente, o coração humano deve dispor-se à paz e, na meditação, ele abre-se; na oração, sai de si mesmo.
O mundo tem sede de paz: precisa de uma verdadeira e sólida era de reconciliação, que ponha fim à prevaricação, à demonstração de força e à indiferença pelo Direito. Chega de guerras, com os seus penosos amontoados de mortos, destruições, exilados! Hoje, juntos, manifestamos não só a nossa firme vontade de paz, mas também a consciência de que a oração é uma grande força de reconciliação. Quem não reza abusa da religião, até mesmo para matar. A oração é um movimento do espírito, uma abertura do coração. Não são palavras gritadas, comportamentos exibidos ou slogans religiosos usados contra as criaturas de Deus. Acreditamos que a oração tem o poder de transformar a história dos povos. Que os locais de oração sejam tendas de encontro, santuários de reconciliação, oásis de paz.
«Temos de afastar das religiões a tentação de se tornarem um instrumento para alimentar nacionalismos, etnicismos, populismos. As guerras enfurecem-se. Ai daquele que tenta arrastar Deus para as guerras!» (Papa Francisco). Faço minhas estas palavras e repito com veemência: a guerra nunca é santa, somente a paz é santa, porque é desejada por Deus!
Com a força da oração, com as mãos livres levantadas ao céu e com as mãos abertas para os outros, devemos fazer com que esta época da história, marcada pela guerra e pela prepotência da força, termine rapidamente e que uma nova história comece. Não podemos aceitar que esta época se prolongue mais e molde a mentalidade dos povos, não podemos habituar-nos à guerra como normal companheira da história humana. Basta! É o grito dos pobres e o grito da terra. Basta! Senhor, ouve o nosso grito!
O Venerável Giorgio La Pira, testemunha da paz, enquanto trabalhava politicamente em tempos difíceis, escreveu a São Paulo VI: é necessária «uma diferente história do mundo: “a história da era negocial”, a história de um mundo novo sem guerra». [2] São palavras que hoje, mais do que nunca, podem ser um programa para a humanidade.
A cultura da reconciliação vencerá a atual globalização da impotência, que parece dizer-nos que uma outra história é impossível. Sim, o diálogo, a negociação e a cooperação podem enfrentar e resolver as tensões que surgem em situações de conflito. Devem fazê-lo! Existem as sedes e pessoas para o fazer. «Pôr fim à guerra é dever inadiável de todos os responsáveis políticos perante Deus. A paz é a prioridade de qualquer política. Deus pedirá contas a quem não procurou a paz ou fomentou as tensões e os conflitos, de todos os dias, meses, anos de guerra». [3]
Este é o apelo que nós, líderes religiosos, dirigimos com todo o coração aos governantes. Façamos eco do desejo de paz dos povos. Demos voz àqueles que não são escutados e não têm voz. É preciso ousar a paz!
E se o mundo for surdo a este apelo, estejamos certos de que Deus ouvirá a nossa oração e o lamento de tantos que sofrem. Porque Deus quer um mundo sem guerra. Ele libertar-nos-á deste mal!»
Homilia, Dia Mundial dos Pobres e
Jubileu dos Pobres, 16 de novembro de 2025: «Não poderá haver paz sem justiça, e os pobres recordam-nos isso de muitas maneiras: com a sua migração, bem como com o seu grito muitas vezes abafado pelo mito do bem-estar e do progresso que não tem todos em conta e que, em vez disso, esquece muitas criaturas, abandonando-as ao seu destino.»
Discurso no aeroporto Internacional de Beirute, 2 de
dezembro de 2025: «Que cessem os ataques e as hostilidades. Ninguém
acredite mais que a luta armada traz algum benefício. As armas matam; a
negociação, a mediação e o diálogo edificam. Escolhamos todos a paz como
caminho, não apenas como meta!»
[…]
Abramo-nos à paz! Acolhamo-la e reconheçamo-la, em vez de a considerarmos distante e impossível. Antes de ser um objetivo, a paz é uma presença e um caminho. Mesmo que seja contestada dentro e fora de nós, como uma pequena chama ameaçada pela tempestade, guardemo-la sem esquecer os nomes e as histórias daqueles que a testemunharam. É um princípio que orienta e determina as nossas escolhas. Também nos lugares onde só restam escombros e onde o desespero parece inevitável, ainda hoje encontramos quem não esqueceu a paz. Do mesmo modo que, na noite de Páscoa, Jesus entrou no lugar onde se encontravam os discípulos assustados e desanimados, assim a paz de Cristo ressuscitado continua a atravessar portas e barreiras com as vozes e os rostos das suas testemunhas. É o dom que permite não esquecer o bem, reconhecê-lo como vencedor, escolhê-lo novamente e juntos.
[…]
A paz de Jesus ressuscitado é desarmada, porque desarmada foi a sua luta, dentro de precisas circunstâncias históricas, políticas e sociais. Os cristãos devem tornar-se, juntos, testemunhas proféticas desta novidade, conscientes das tragédias das quais muitas vezes foram cúmplices.
[…]
Se a paz não for uma realidade experimentada, guardada e cultivada, a agressividade espalha-se, tanto na vida doméstica, quanto na vida pública.
[…]
A verdadeira paz entre os povos não se baseia no equilíbrio em armamentos, mas sim e exclusivamente na confiança mútua.»
Esta força, este poder é o próprio Deus, Amor que cria e gera, Amor fiel até ao fim, Amor que perdoa e resgata.
[…]
A força com que Cristo ressuscitou é completamente não violenta. É semelhante à de um grão de trigo que, ao decompor-se na terra, cresce, abre passagem pelas leivas, germina e transforma-se numa espiga dourada. É ainda mais semelhante à do coração humano que, ferido por uma ofensa, rejeita o instinto de vingança e, cheio de piedade, reza por quem o ofendeu.
Irmãos e irmãs, esta é a verdadeira força que traz a paz à humanidade, porque gera relações respeitosas a todos os níveis: entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, as nações. Não visa o interesse particular, mas o bem comum; não pretende impor os próprios planos, mas contribuir para os conceber e concretizar em conjunto com os outros.
Sim, a ressurreição de Cristo é o princípio da nova humanidade, é a entrada na verdadeira terra prometida, onde reinam a justiça, a liberdade e a paz, onde todos se reconhecem irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai que é Amor, Vida e Luz.
[…]
À luz da Páscoa, deixemo-nos surpreender por Cristo! Deixemos transformar o nosso coração pelo seu imenso amor por nós! Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar!
Estamos a habituar-nos à violência, resignamo-nos a ela e tornamo-nos indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às repercussões de ódio e divisão que os conflitos semeiam. Indiferentes às consequências económicas e sociais que produzem e que todos sentimos. Há uma “globalização da indiferença” cada vez mais acentuada.
A cruz de Cristo recorda-nos sempre o sofrimento e a dor que envolvem a morte, e o tormento que ela acarreta. Todos temos medo da morte e, por medo, voltamo-nos para o outro lado, preferimos não olhar. Não podemos continuar indiferentes! Não podemos resignar-nos ao mal! Santo Agostinho ensina: «Se tens medo da morte, ama a ressurreição!» (Sermão 124, 4). Amemos também nós a ressurreição, que nos recorda que o mal não é a última palavra, porque foi derrotado pelo Ressuscitado.
Ele atravessou a morte para nos dar vida e paz: «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou» (Jo 14, 27). A paz que Jesus nos entrega não é aquela que se limita a silenciar as armas, mas aquela que toca e transforma o coração de cada um de nós! Convertamo-nos à paz de Cristo! Façamos ouvir o grito de paz que brota do coração! Por isso, convido todos a unirem-se a mim na vigília de oração pela paz que celebraremos aqui, na Basílica de São Pedro, no próximo sábado, 11 de abril.
Neste dia de festa, abandonemos toda a vontade de contendas, domínio e poder, e imploremos ao Senhor que conceda a sua paz ao mundo atormentado pelas guerras e marcado pelo ódio e pela indiferença, que nos fazem sentir impotentes perante o mal. Ao Senhor confiamos todos os corações que sofrem e esperam a verdadeira paz que só Ele pode dar. Confiemos n’Ele e abramos-Lhe o nosso coração! Só Ele faz novas todas as coisas (cf. Ap 21, 5)!»
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