«A fé não é uma resposta, é um caminho. A fé é uma pergunta e acreditar é tentar dar resposta a esse anseio.»

Hoje, falar dos apóstolos reunidos «à porta fechada» ou das dúvidas de Tomé, e também da insistência do Ressuscitado em oferecer paz àqueles discípulos amedrontados pelo medo, é muito bom. É bom falar de todas estas coisas, pois conhecer a experiência de outras pessoas ajuda-nos a refletir sobre as nossas próprias vidas.

Ao ler o trecho do Evangelho de João 20, 19-31, fiquei impressionado com os dois últimos versículos: «Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele.»

O evangelho, os evangelhos, não pretendem contar-nos a vida de Jesus, um galileu do século I. Também não pretendem contar-nos o que aconteceu num determinado momento, não são uma crónica. O evangelho é um despertador. O seu objetivo, o que pretende alcançar, é que acreditemos e para que, acreditando, tenhamos, na comunhão com Jesus, participação na vida divina. Por isso, não podemos abordar os evangelhos à procura de uma resposta, algo como a receita exata para a felicidade plena.

Não há receitas. A fé não é uma resposta, é um caminho. Quase poderíamos dizer que a fé é uma pergunta e que acreditar é tentar dar resposta a esse anseio. Como apaixonar-se. Quando nos apaixonamos, não encontramos uma resposta; o que encontramos é um caminho cheio de novidades. Podemos dizer que os evangelhos foram escritos para «nos apaixonarmos», para nos mostrar um caminho cheio de novidades.

Se acreditarmos, se amarmos… então começamos a dar passos, a entrar na vida plena, na Vida Eterna.

Comentários