Éden e Calvário: dois Jardins, uma História da Humanidade


Éden e Calvário: dois Jardins, uma História da Humanidade
 
O primeiro é o Éden:
um jardim de abundância, plantado por Deus,
onde tudo foi dado,
mas a Humanidade perdeu o seu lar
pela ferida da ganância.
 
O segundo é o Calvário:
um jardim de compromisso e entrega,
onde o Filho de Deus caminhou em obediência,
e o mundo testemunhou o amor derramado sem medida.
 
O Sudão do Sul é um jardim entre os dois:
belo, fértil e ferido;
o seu solo marcado pelo conflito,
os seus rios transbordando de lágrimas,
o seu povo dividido pela desconfiança.
 
Mas ainda pode ser curado;
ainda pode tornar-se verdejante novamente
se a paz criar raízes nos corações.
 
No Éden,
uma mão estendeu-se para tomar.
No Calvário,
braços se estenderam para dar.
 
No Sudão do Sul,
muitas mãos agarram para explorar,
despojando a terra e o seu povo;
Contudo, as mãos dos humildes ainda semeiam sementes de esperança,
aguardando uma colheita de justiça.
No Éden,
a humanidade ouviu Deus com medo e dúvida.
No Calvário,
Cristo ouviu o Pai com confiança e amor.
No Sudão do Sul,
o clamor dos pobres muitas vezes não se ouve,
perdido no ruído do poder e do orgulho;
mas Deus inclina-se para ouvir,
e os fiéis ainda depositam n’Ele a sua confiança.
 
No Éden,
uma árvore tornou-se o sinal da desobediência.
No Calvário,
uma árvore tornou-se o sinal do amor:
uma cruz que floresce em vida.
No Sudão do Sul,
a árvore da nação permanecerá firme
só quando as suas raízes forem a justiça
e os seus ramos abrigarem os fracos;
apenas quando a solidariedade se tornar a linguagem do povo.
 
No Éden,
Adão escondeu-se entre os ramos.
No Calvário,
o novo Adão foi erguido para que todos o vissem. No Sudão do Sul,
aqueles que se agarram ao poder escondem-se nas sombras,
mas o povo comum permanece na luz,
partilhando o pouco que têm,
tornando-se a força uns dos outros.
 
No Éden,
o jardim foi encerrado.
No Calvário,
o jardim da ressurreição foi aberto:
uma pedra removida,
um amanhecer rompendo o desespero.
 
No Sudão do Sul,
a pedra da divisão pode ser removida;
 
uma nova manhã pode surgir
se os corações se converterem à paz,
se nascer uma visão partilhada.
 
Entre estes dois jardins,
corre a frágil história da humanidade:
perdida e encontrada,
ferida e curada,
partida e restaurada.
 
O primeiro jardim mostra
como a beleza pode ser facilmente destruída.
 
O segundo jardim proclama
que até o que está partido pode ser redimido.
 
E o Sudão do Sul,
este jardim ferido,
clama através do seu sofrimento e da sua fé:
tornemo-nos jardineiros e restauradores da paz.
 
Bispo Christian Carlassare, em Bentiu, Sudão do Sul

Comentários