Esta é a Palavra de Deus para os nossos tempos de desânimo

A necessidade de ânimo é premente em tempos de desânimo. Talvez por isso seja bom recorrer com fidelidade a uma Palavra que nos encoraja.

O Evangelho de São João (Jo 14, 15-21) coloca na boca de Jesus uma dessas palavras encorajadoras que afastam o desânimo da vida: «NÃO VOS DEIXAREI ÓRFÃOS.»

Aqueles que acumulam anos e, por lei da vida, perderam os pais, experimentam de forma muito aguda o sentimento de orfandade. É a sensação de ficar sozinho com a própria solidão como companheira de vida. Por isso, procuramos paliativos para a solidão, como são a amizade, o relacionamento e, em última análise, o amor.

Mas é preciso dizer também que, se o sentimento de orfandade for bem elaborado, isso pode contribuir para o amadurecimento da pessoa. A vida cristã pode ajudar nisso. Será assim se formos incorporando à nossa experiência espiritual coisas como estas:

· Deus nunca te deixa sozinho (Jo 16, 32): pode ser que a dor encobra a sua presença, mas Ele está sempre lá, como fonte do amor. E quanto mais forte é a dor, mais presente Ele se encontra.

· Jesus caminha contigo (Lc 24,16): Ele adapta o seu passo ao teu, interessado nos teus caminhos, nas tuas proximidades e nas tuas distâncias. Nada do que te diz respeito Lhe é indiferente.

· Temos o apoio da comunidade cristã (Mt 18, 20): por isso, haverá sempre uma mão amiga estendida para nós. Quanto mais cultivarmos a comunidade, mais a solidão se afasta.

É possível, além disso, transformar o sentimento de orfandade com base na bondade e na alegria. Talvez não consigamos erradicar por completo a solidão profunda que nos compõe. Mas o sentimento de nos vermos sozinhos não nos derrotará.

Às vezes, os poetas dizem coisas muito evidentes, mas muito profundas a este respeito. Vejamos estes versos do poeta Víctor Herrero de Miguel:
Todo o amor que existe concentra-se
nas botas de inverno, impermeáveis,
que me compraste em Praga.
Protegem-me
do frio, da chuva e da ilusão
de sentir que estou sozinho
embora caminhe sozinho. 
Fidel Aizpurúa Donazar, em Fé Adulta

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