Lemos no Evangelho de São Lucas 2, 51 «Jesus era-lhes submisso» - aos seus pais, na sua aldeia de Nazaré. É outra forma de falar da encarnação de Jesus: Ele submete-se à autoridade dos seus pais - numa época em que tal autoridade não era questionada. Na cultura judaica, respeitar a autoridade paterna era aceitar a autoridade de Deus.
Era, por um lado, uma obediência prática: Jesus viveu uma vida familiar normal. Ele ajudava nas tarefas diárias, submetia-se às orientações da família e cumpria o quarto mandamento da Lei: honrar pai e mãe.
Por outro lado, a submissão aos pais terrenos era expressão da Sua submissão total ao Pai Celestial.
Hoje, entre pais e filhos, utiliza-se uma autoridade baseada na igualdade, difícil, mas sem dúvida mais valiosa. Embora também tenha o seu lado questionável: queixamo-nos, frequentemente, de que se perdeu a autoridade dos pais e dos professores.
Hoje, muitos perguntam-se como recuperar a autoridade dos pais e que pode a fé cristã contribuir para essa questão.
Algumas dicas:
Hoje, muitos perguntam-se como recuperar a autoridade dos pais e que pode a fé cristã contribuir para essa questão.
Algumas dicas:
· Autoridade que se entrega: quem quiser recuperar a autoridade tem de se entregar à causa dos seus filhos. Ser pai e mãe é uma vocação que exige uma entrega contínua. Renunciar a essa entrega degenera num perigoso «compadrio».
· Autoridade que se dá: há pais e mães que trabalham muito para que nada falte aos seus filhos. Mas têm dificuldade em dedicar-lhes tempo, atenção, interesse e dedicação. Dão, mas não se entregam. Assim, é difícil aproximar-se do coração da criança.
· Autoridade que acompanha: para tal, é necessário reunir uma grande dose de paciência, flexibilidade e empatia.
É bom perguntar-se se a fé pode contribuir em algo para esta tarefa. A resposta é sim. Para além do acervo de valores humanos que contém, a espiritualidade pode ajudar a moldar o coração da pessoa.
Muitos filhos de hoje não seguem o caminho de fé e religião dos seus pais. o que fazer?
Paciência e coerência.
Paciência para respeitar o seu ritmo de vida.
Coerência para não contradizer com as nossas ações o que afirmamos com as nossas palavras.
Sugestão: ler o poema de Kalil Gibran «Filhos»:
Então uma mulher que segurava um bebé contra o peito disse:
Fala-nos dos filhos.
E ele disse:
Os vossos filhos não são os vossos filhos.
São os filhos e as filhas da saudade que a vida tem de si mesma.
Eles vêm através de vós, mas não a partir vós,
E apesar de estarem convosco, eles não vos pertencem.
Podeis dar-lhes o vosso amor, mas não os vossos pensamentos.
Pois eles têm os seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar os seus corpos, mas não as suas almas,
Pois as suas almas habitam na casa do amanhã, que não podeis visitar, nem mesmo em sonhos.
Podeis esforçar-vos para ser como eles, mas não procureis torná-los iguais a vós.
Pois a vida não anda para trás, nem se demora com o dia de ontem.
Vós sois os arcos dos quais os vossos filhos são lançados, quais flechas vivas, para diante.
O arqueiro vê o alvo no sentido do infinito, e Ele dobra-vos com a Sua força, para que a Sua flecha voe veloz e para lá do longe.
Deixai que a mão do arqueiro vos dobre como se desenhasse um sorriso;
Pois assim como Ele ama a flecha que voa e vai, também ama o arco que é firme e fica.
Khalil Gibran, O Grande Livro do Amor (tradução de José Luís Nunes Martins)
Fidel Aizpurúa Donazar, em Fé Adulta
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