O Batismo faz de nós apóstolos e apóstolas transformadores, que fazem obras de amor, a partir da lógica de Deus Amor
O Batismo não é algo
que nos eleve a um estatuto superior e nos confira uma identidade mística
específica. O Batismo, cujo sinal mais externo e visível é a água, mergulha-nos
no ambiente em que vivemos para transformar o inerte e para comunicar e dar vida,
precisamente ali onde reinam as estruturas da morte e o caos se tornou senhor e
dono.
É um apostolado, portanto, que renuncia à doutrinação e
ao proselitismo, para se colocar de frente e ao lado da dor em todas as facetas
e dimensões com que esta costuma manifestar-se nos tempos em que vivemos.
Apóstolos da paz, em
primeiro lugar, que denunciem de forma enérgica e contundente o uso da força e
da violência como instrumentos propícios para dirimir as diferenças ou resolver
os possíveis conflitos que tantas vezes podem advir da relação entre os povos
ou da convivência entre as pessoas.
Apóstolos da
compaixão e da misericórdia para com todos e todas aqueles e aquelas que se
viram condenados a viver à margem da vida, carecendo, por isso, do essencial e
do básico para poderem viver com o mínimo de dignidade que lhes pertence como
pessoas. Como consequência disso, um
apostolado cuja opção preferencial sejam os pobres, a partir do compromisso com
a justiça, longe do assistencialismo. Pois só a partir dela se consegue
compreender e, por conseguinte, dar uma solução verdadeira às causas estruturais
que geram tanta dor nos excluídos do sistema. Alimentando sempre esse
apostolado com a mística que surge do fragor da vida, em oposição a estados de
espírito pura e simplesmente autocomplacentes.
Apóstolos, em suma,
que falem uma única língua: a do amor. Pois é essa a única língua que, afinal
de contas, todos os homens e mulheres e todos os povos do mundo sempre
compreenderam e continuam a compreender hoje em dia. «E ficavam atónitos e
maravilhados, dizendo: Vejam, não são galileus todos estes que falam? Como é que, então, os ouvimos falar cada um
na nossa língua, aquela em que nascemos?»
(At 2, 7-8).
Apóstolos que busquem
não tanto a «glossolalia e o dom das línguas» para convencer e ampliar o
proselitismo, mas sim «fazer obras de amor» para dignificar e contagiar a «Boa
Nova» aos deserdados da terra. Só assim serão verdadeiramente fiéis à mensagem
de Jesus, quando Ele recomenda: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.
Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros»
(Jo 13, 34-35). E, por isso, serão reconhecidos como tal.
Juan Zapatero Ballesteros, em Eclesalia
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