Conto «Alguém quer ser idoso?»

Uma professora pediu aos alunos para escreverem um texto sobre o que gostariam de ser quando fossem grandes.

Um miúdo decidiu responder diferente. E a sua redação arrancou gargalhadas e suspiros de toda a sala.

Ele escreveu: «Eu não quero ser presidente, médico ou cientista. O meu maior sonho é ser idoso, porque parece ser a fase mais divertida da vida!»

E então vieram os argumentos, absolutamente irrefutáveis:

- O avô pode acordar tarde sem ninguém gritar “está a perder tempo!”. 

- O avô pode tirar uma sesta depois do almoço sem culpa e ainda chamar a isso “repouso merecido”, o que soa muito mais elegante do que simplesmente dormir sentado a ver televisão.

- O avô pode ver televisão em paz, dormir cedo no sofá e ninguém lhe manda desligar o videojogo ou estudar matemática.

- Não existe teste surpresa para aposentado. O único sobressalto é descobrir onde pôs os óculos… enquanto eles estão na cabeça dele.

O menino observou ainda que os idosos de hoje já não vivem apenas sentados em bancos do jardim, olhando o movimento das pessoas, das aves ou do trânsito. Muitos acordam cedo para correr no parque, fazem musculação, praticam pilates, hidroginástica,  jogam beach tennis com mais energia do que muitos jovens que passam o dia inteiro na internet a reclamar da vida. Outros fazem trilhos, pedalam quilómetros, dançam, pintam quadros, aprendem instrumentos musicais e transformam a reforma numa espécie de segunda juventude, só que agora com menos pressa e muito mais sabedoria.

E há privilégios quase sagrados: café de manhã, chá à tarde, leite à noite… e uma impressionante capacidade de transformar qualquer remédio em parte da rotina gastronómica.

Sem falar que idosos entram nos transportes públicos quase como celebridades discretas: há sempre alguém que lhes oferece o lugar. É talvez a única fase da vida em que levantar-se do assento para dar lugar a alguém é visto como sinal máximo de respeito e não como expulsão educada.

O menino também percebeu outra coisa maravilhosa: o idoso pode fazer o que gosta sem precisar de pedir autorização a toda a gente. 
E, se tiver dinheiro no bolso, então… é praticamente um aventureiro internacional com desconto em passagens e prioridade na fila.

Maravilhoso, ainda, disse o menino, é que os idosos têm amor a dobrar para dar aos filhos e aos netos, e que as casas dos avós são o melhor alojamento local que se poderia imaginar e que as refeições preparadas por eles são as mais deliciosas do mundo.

No fim da redação, o garoto concluiu:
«Então, ser idoso é realmente incrível!»

E talvez seja mesmo.

Porque a juventude vive a correr atrás do relógio, enquanto muitos idosos aprendem finalmente que a vida não é uma corrida, é passeio.

Talvez envelhecer não seja perder velocidade, talvez seja apenas descobrir que não é preciso chegar primeiro para ter um prémio.

A verdade é que muita gente envelhece sem perceber o próprio privilégio. Sobreviveu às tempestades, aprendeu com os tombos, criou histórias, colecionou afetos e ganhou aquilo que o tempo oferece de mais raro: liberdade para viver ao seu modo.

Com carinho, humor e respeito, este texto é dedicado a todos os idosos, especialmente aos que ainda riem alto, contam histórias repetidas e continuam a encontrar beleza nas pequenas coisas da vida.
Adaptado da internet

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