O que fazia Jesus Cristo quando precisava de ajuda - comentário ao Evangelho de Mateus 14, 13-14

Do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 14, 13a: «Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Batista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado.»
 
O Evangelho conta que Jesus tomou conhecimento do assassinato de João Batista, o seu primo, por quem nutria um profundo carinho. E ficou abalado com a notícia. Sentiu-se triste e magoado, e queria ficar a sós para desabafar o seu coração. Por isso, partiu de barco para um lugar isolado, para se encontrar a sós com o seu Pai, na intimidade da oração.
 
Aqui temos um primeiro ensinamento: nós também nos deparamos com problemas, dores e preocupações, e precisamos de desabafar. E o que é que fazemos?
 
Alguns costumam recorrer ao álcool para se evadir e adormecer. Muitos jovens, que têm problemas em casa, costumam mergulhar na bebida com os amigos para fugir do problema. Outros procuram um curandeiro, um adivinho ou alguém que lhes preveja o futuro e os tranquilize. Outros querem morrer, suicidar-se ou matar alguém, como tantas vezes ouvimos nas notícias.
 
Jesus ensina-nos que a atitude correta, quando se atravessa por momentos difíceis, é procurar o diálogo com Deus. Deus é o nosso equilíbrio, a nossa paz, o nosso melhor conselheiro. Deus é a nossa LUZ e o nosso APOIO nos momentos de angústia.

A  oração ajuda-nos a mergulhar em nós próprios para nos encontrarmos com Deus, a sentir o Seu amor e a Sua força, que nos revitaliza e nos ajuda a enfrentar os problemas com lucidez.
 
Até mesmo Jesus, que era uma pessoa equilibrada, precisou de procurar Deus quando se sentiu aflito. Quanto mais nós, insignificantes e efémeros, precisamos de nos apoiar em Deus!
 
Poderíamos perguntar-nos hoje: a quem recorremos para desabafar quando nos sentimos mal?
 
É muito bom procurar um amigo, um psicólogo ou alguém que nos compreenda. Mas será que nos lembramos sequer do Pai, que habita em nós e nos acompanha sempre?
 
Será que, pelo menos, pensamos que Ele existe e está dentro de nós para nos sustentar e iluminar? Não é preciso pedirmos-Lhe nada, basta apoiarmo-nos Nele. Ele sabe bem do que precisamos e dá-nos de graça, sem que o peçamos…
 
Uma das orações curtas que podemos repetir, para nos lembrar de quem nos acompanha sempre e para nos sentirmos seguros, é esta: «Senhor, abandono-me em Ti, confio em Ti, descanso em Ti.» O que não significa que deixe de fazer o que tenho de fazer para resolver os meus problemas. Mas, na maioria das vezes, o que a nossa fragilidade precisa é de se sentir apoiada e de eliminar os medos. Sentir que há uma Presença Infinita, dentro de mim, que me sustenta e me acompanha, tranquiliza-me e enche-me de alegria.
 
«Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n’O por terra. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes.» (Mateus 14, 13b-14)

O Evangelho continua a contar-nos como Jesus viu frustrada a sua intenção de ficar a sós, porque as pessoas souberam para onde Ele ia e seguiram-no por terra. Assim, quando chegou, deparou-se com uma grande multidão que O esperava ansiosamente, com os seus doentes, os seus problemas e os seus sofrimentos.
 
Ao vê-la, Jesus decidiu atendê-los e começou a ensiná-los e a ouvi-los, adiando o que inicialmente pretendia fazer. Esquecendo-se da sua própria dor, da sua tristeza e da sua intenção de estar sozinho e em paz. Havia outras pessoas que precisavam dele. É este o segundo ensinamento que o Evangelho de hoje nos deixa.
 
Todos temos problemas. Mas, por vezes, devemos avaliar o que é mais urgente: a minha necessidade ou obrigação, ou AJUDAR pessoas mais necessitadas do que eu.
 
Se tivermos boa memória, todos nos lembraremos da «parábola do bom samaritano». Jesus, nesta ocasião, praticou exatamente isso.
 
Jesus deixou de lado a sua dor, porque sentiu que aquelas pessoas estavam em pior situação do que Ele.
 
Vivemos a usar como desculpa para não ajudar: «É que tenho muitos problemas.» E provavelmente é verdade. Mas se vivermos a pensar exclusivamente nos nossos problemas, nunca poderemos ajudar ninguém. Se esperarmos que os inconvenientes que nos rodeiam desapareçam para só então ajudarmos, nunca ajudaremos ninguém.

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