«Quando leres o Evangelho, procura JESUS que te mostra o Caminho da TUA CONDUTA, não os MILAGRES que nunca poderás fazer.»

A religião PASSIVA acredita fanaticamente que tudo depende de Deu
s, que faz e desfaz à sua vontade tudo o que nos acontece. Por isso, insiste-se em forçar a Sua vontade com pedidos para que Ele se adapte a nós.

Mas o Abba constitui-te e habita em ti. É uma torrente que te envolve e protege. O amor permanente e íntimo de Deus Pai, que habita em nós e nos sustenta, a presença luminosa de Jesus Ressuscitado, a Sua Luz e o impulso do Seu Espírito ESTÃO connosco.

Deus criou-nos para realizar as suas obras, para sermos as suas mãos e os seus pés
Os meios de comunicação recordam-nos, quase diariamente, a fome física de alimento em muitas partes do mundo. Há também muita fome espiritual, fome e sede de valores, de algo a que nos agarrarmos e em que devemos depositar a nossa esperança.

Jesus deu às pessoas o alimento da compaixão, da sua palavra luminosa e, especialmente, o alimento do seu exemplo. Convida-nos agora, a nós, os seus discípulos de hoje, a entregarmo-nos como alimento e bebida para os outros. Celebremos a Eucaristia, fortalecendo a nossa adesão a Ele e reforçando a nossa fraternidade.

Deus criou-nos para realizar as suas obras, para sermos as suas mãos e os seus pés. E, para isso, dotou-nos de qualidades e dons que devemos colocar ao serviço dos outros. Reconhecemo-los e comprometemo-nos a isso.

Comprometemo-nos, Senhor.
Queremos comprometer-nos a viver o dom da Paz, tanto interiormente, sentindo-nos habitados por Ti, como exteriormente, contribuindo para a semear nos outros. Por isso dizemos: 
Comprometemo-nos, Senhor.

Queremos comprometer-nos a viver o dom do Amor, descobrindo cada dia o grande amor que nos tens e vivendo-o com os irmãos. Por isso dizemos:
Comprometemo-nos, Senhor.

Queremos comprometer-nos a viver o dom da Bondade e da Ajuda, ajudando-nos a nós próprios a progredir na nossa realização pessoal e ajudando os outros em tudo o que pudermos. Por isso dizemos:
Comprometemo-nos, Senhor.

É verdade que não fazes milagres?
Certa vez, uma loja de fotocópias afixou este cartaz à entrada: «Fizemos um acordo com Deus: Deus não faz fotocópias e nós não fazemos milagres.»

Também nós, quando alguém nos exige demasiado, costumamos dizer: «Bem, eu não faço milagres». O Evangelho de hoje diz-nos que nós podemos, e até devemos, fazer milagres. E ensina-nos como fazê-los.

Mas atenção: não os milagres tal como os entendemos e tal como nos foram contados, como uma intervenção exterior, vinda de fora, de Deus.

Deus não pode intervir diretamente na nossa história, na nossa vida, porque isso iria contra o seu desígnio original e contra um dos principais dons que nos concedeu: a LIBERDADE.

Deus não intervém de fora, mas sim a partir de dentro de cada um de nós, impulsionando-nos e motivando-nos a agir. Somos nós que temos de fazer os milagres.

Os Evangelhos relatam 35 milagres realizados por Jesus
O milagre que mais impressionou os primeiros cristãos foi o da multiplicação dos pães, uma vez que é o único que aparece relatado nos quatro Evangelhos. Isto não se deve ao seu caráter espetacular, mas à mensagem que encerra.

O Evangelho de Mateus 14, 15-21 diz que, quando caiu a noite, os discípulos pediram a Jesus que dispensasse as pessoas para que fossem comprar comida. Mas Jesus disse-lhes que fossem eles a dar-lhes de comer. Os discípulos, então, trouxeram os poucos pães e peixes que tinham, e assim aconteceu o «milagre» de todos poderem comer.

Como é que cinco mil pessoas conseguiram comer com cinco pães e dois peixes? O Evangelho não o diz. Mas a interpretação racional e não milagrosa é que a PARTILHA multiplica os recursos de cada um.
A atitude de Jesus de distribuir o pouco que tinham levou os outros a fazer o mesmo, e a notícia espalhou-se entre todos, e todos partilharam o que tinham.

E, a julgar pelo que sobrou, parece que muitos traziam boas provisões, mas apenas para si próprios. Ao juntarem os mantimentos, acabou por dar para todos e ainda sobrou.

Cada milagre de Jesus é exaltação Dele ou lição para nós?
É mais fácil e espetacular pensar em MILAGRES do que em ATITUDES e VALORES. Mas as lições de Jesus não foram uma exibição do seu poder para se vangloriar. Jesus veio para ILUMINAR as nossas vidas e ensinar-nos o Caminho. NÃO para se exaltar a si próprio.

Infelizmente, as interpretações tradicionais dos chamados milagres têm-se centrado mais na EXALTAÇÃO do que nas LIÇÕES de Jesus para a nossa vida quotidiana.

O jesuíta Anthony de Mello contava que, numa noite de inverno rigoroso, enquanto caminhava pela rua na Índia, deparou-se de repente com uma menina a tremer de frio numa esquina, com um vestido fino, morrendo de fome e de sono.
Ao vê-la, entrou em crise, ergueu os olhos para o céu e disse a Deus: «Porque é que permites estas coisas? Porque não fazes nada para resolver isto?»
Então sentiu no seu coração que Deus lhe respondia: «Como assim, não faço nada? Fui eu que te criei.»
E ele comenta: «Desde aquele dia, sempre que vejo pobreza, injustiças ou dor, sinto a tentação de dizer a Deus: “Senhor, porque não fazes algo para resolver isto? E ouço a voz de Deus que me diz: ‘Anthony, porque é que não fazes tu algo para resolver isto?’”

Para que veio Jesus, para se exibir e esfregar-nos os seus poderes ou para NOS ENSINAR a ser humanos?

Quando leres o Evangelho, procura a LUZ que te mostra o Caminho da TUA CONDUTA, não os MILAGRES que nunca poderás fazer.

Oração
Para acreditar em Ti é preciso ter fome, pois vives no pão macio que se parte e se partilha em qualquer casa, mesa e encruzilhada, entre irmãos, desconhecidos e viajantes.

Para acreditar em Ti é preciso ter fome, pois tu és o banquete dos pobres, o tesouro dos mendigos que, vazios, sem campos nem celeiros, descobrem que são ricos.

Para acreditar em Ti é preciso ter fome, fome de vida e de justiça, que não se satisfaz com palavras vãs e vazias, pois, embora nos surpreendam e cativem, não nos alimentam nem satisfazem.

Para acreditar em Ti é preciso ter fome, pois sem ela esquecemos facilmente os dois terços que a têm, entre os quais tu andas perdido, porque são aqueles que mais te atraem.

Para acreditar em Ti é preciso ter fome e manter vivo o desejo de um pão diferente daquele que nos vendem nos mercados, nas praças e nos encontros onde tudo se compra e se vende.

Para acreditar em Ti é preciso ter fome e, por vezes, engasgar-se ao ouvir-te, para descobrir a novidade da tua presença e da tua mensagem neste mundo sem ilusões.

Para acreditar em Ti, é preciso encarnar-se, viver entre os últimos, ter muita vontade de partilhar os cinco pães e os dois peixes e todas as ilusões e necessidades.

Ofereço-Te os meus cinco pães e os meus dois peixes para que, com a minha ajuda, possas continuar a semear a solidariedade e o apoio mútuo no nosso mundo. Ámen.

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