As respostas que Jesus Cristo não quer
Mas Ele não espera de nós a resposta aprendida na catequese. Seria uma
resposta coberta de bolor.
Não espera uma resposta ditada pelo hábito. Seria
uma resposta sem paixão.
Não espera uma resposta elaborada apenas pela mente.
Seria uma resposta fria, sem coração.
A resposta que Jesus Cristo quer
Jesus espera uma resposta que nasça da
nossa intimidade com Ele.
Como podemos encontrá-la? Perguntemo-nos até que
ponto estamos dispostos a arriscar por Ele. A medida extrema? O dom da vida!
Não basta, porém, dar
uma resposta de uma vez para sempre.
A vida é mudança. Em todas as relações
surgem momentos de crise, nos quais nos parece já não reconhecer o outro.
Mas este momento crítico pode tornar-se ocasião de rutura definitiva ou oportunidade
para crescer no conhecimento recíproco. Isto pode acontecer também na nossa
relação com Cristo. Também por causa disso, alguns cristãos acabam por se
afastar d’Ele.
Se a relação com Jesus se torna rotineira e sem entusiasmo, pouco a pouco, instalam-se a indiferença e o afastamento. Presumimos conhecê-lo
e pensamos que já nada tem para nos dizer. O seu Evangelho é como um livro “já
lido”. Então, ou nos vamos embora, cansados e desiludidos, ou a nossa relação
com Ele definha numa lenta e triste agonia.
Como evitar este perigo?
Uma narrativa dos antigos Padres do Deserto exprime-o de maneira simpática, mas eloquente.
Um jovem monge foi um dia visitar um velho monge, carregado de anos e de experiência, e disse-lhe:
- Meu pai, explica-me por que razão tantos abraçam a vida monástica e tão poucos
perseveram; tantos voltam atrás.
O monge respondeu:
- Acontece como quando
um cão vê uma lebre. Começa a correr atrás dela e ladra com força. Outros cães
ouvem o cão ladrar enquanto corre atrás da lebre e também começam a correr: são
muitos a correr juntos, ladrando; mas só um viu a lebre, só um a segue com os
olhos. A certa altura, um após outro, todos aqueles que não viram realmente a
lebre e correm apenas porque um deles a viu cansam-se e ficam exaustos. Aquele,
porém, que fixou pessoalmente os olhos na meta vai até ao fim e apanha a
lebre.
E concluiu:
- O mesmo acontece com os monges. Só aqueles que fixaram
verdadeiramente os olhos na pessoa de Jesus Cristo, nosso Senhor crucificado,
chegam até ao fim.
Já pensaste em
dirigir a Jesus Cristo a mesma pergunta: «Jesus, quem dizes que eu sou?»
Só
a sua resposta pode iluminar o mistério daquilo que somos; caso contrário,
continuamos a ser uma incógnita para nós mesmos. Só Ele pode revelar-nos o
nosso verdadeiro nome, a nossa identidade. Só este encontro
face a face pode dar profundidade e solidez à nossa relação com Ele.
Para reflexão pessoal
1) Num momento de oração, interroguemos o Senhor e deixemo-nos interrogar por Ele: «Senhor, quem és Tu para mim? E quem sou eu para Ti?»
2) Confrontemo-nos com a identidade de Pedro, que ilumina a vocação do cristão: ser PEDRA, isto é, servir de apoio à fé dos outros, apesar da fragilidade da nossa; usar a CHAVE do Reino, isto é, a cruz de Jesus, para romper os laços da escravidão e unir as pessoas pelos laços da fraternidade!
Presbítero Manuel João, MCCJ, em Reflexão do Domingo
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