«Tu, Jesus Cristo, quem dizes que eu sou?» - Um comentário ao Evangelho de Mateus 16, 13-20

«Quem sou Eu para ti?», esta pergunta é dirigida a nós por Jesus Cristo.

As respostas que Jesus Cristo não quer
Mas Ele não espera de nós a resposta aprendida na catequese. Seria uma resposta coberta de bolor. 

Não espera uma resposta ditada pelo hábito. Seria uma resposta sem paixão.

Não espera uma resposta elaborada apenas pela mente. Seria uma resposta fria, sem coração.

A resposta que Jesus Cristo quer
Jesus espera uma resposta que nasça da nossa intimidade com Ele.

Como podemos encontrá-la? Perguntemo-nos até que ponto estamos dispostos a arriscar por Ele. A medida extrema? O dom da vida! 

Não basta, porém, dar uma resposta de uma vez para sempre. 
A vida é mudança. Em todas as relações surgem momentos de crise, nos quais nos parece já não reconhecer o outro. 

Mas este momento crítico pode tornar-se ocasião de rutura definitiva ou oportunidade para crescer no conhecimento recíproco. Isto pode acontecer também na nossa relação com Cristo. Também por causa disso, alguns cristãos acabam por se afastar d’Ele. 

Se a relação com Jesus se torna rotineira e sem entusiasmo, pouco a pouco, instalam-se a indiferença e o afastamento. Presumimos conhecê-lo e pensamos que já nada tem para nos dizer. O seu Evangelho é como um livro “já lido”. Então, ou nos vamos embora, cansados e desiludidos, ou a nossa relação com Ele definha numa lenta e triste agonia.

Como evitar este perigo?
Uma narrativa dos antigos Padres do Deserto exprime-o de maneira simpática, mas eloquente.
Um jovem monge foi um dia visitar um velho monge, carregado de anos e de experiência, e disse-lhe:
- Meu pai, explica-me por que razão tantos abraçam a vida monástica e tão poucos perseveram; tantos voltam atrás.
O monge respondeu:
- Acontece como quando um cão vê uma lebre. Começa a correr atrás dela e ladra com força. Outros cães ouvem o cão ladrar enquanto corre atrás da lebre e também começam a correr: são muitos a correr juntos, ladrando; mas só um viu a lebre, só um a segue com os olhos. A certa altura, um após outro, todos aqueles que não viram realmente a lebre e correm apenas porque um deles a viu cansam-se e ficam exaustos. Aquele, porém, que fixou pessoalmente os olhos na meta vai até ao fim e apanha a lebre. 
E concluiu:
- O mesmo acontece com os monges. Só aqueles que fixaram verdadeiramente os olhos na pessoa de Jesus Cristo, nosso Senhor crucificado, chegam até ao fim.

Já pensaste em dirigir a Jesus Cristo a mesma pergunta: «Jesus, quem dizes que eu sou?»
Só a sua resposta pode iluminar o mistério daquilo que somos; caso contrário, continuamos a ser uma incógnita para nós mesmos. Só Ele pode revelar-nos o nosso verdadeiro nome, a nossa identidade. Só este encontro face a face pode dar profundidade e solidez à nossa relação com Ele.

Para reflexão pessoal
1) Num momento de oração, interroguemos o Senhor e deixemo-nos interrogar por Ele: «Senhor, quem és Tu para mim? E quem sou eu para Ti?»

2) Confrontemo-nos com a identidade de Pedro, que ilumina a vocação do cristão: ser PEDRA, isto é, servir de apoio à fé dos outros, apesar da fragilidade da nossa; usar a CHAVE do Reino, isto é, a cruz de Jesus, para romper os laços da escravidão e unir as pessoas pelos laços da fraternidade!

Presbítero Manuel João, MCCJ, em Reflexão do Domingo

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