“Espero, do fundo do meu coração, que as pessoas dêem as mãos e se tratem com compaixão e que consigam ultrapassar estes tempos difíceis.”
As palavras são do Imperador Akihito, que numa mensagem televisiva ao seu povo se mostrou muito preocupado com o número de vítimas que aumenta de dia para dia.
O sismo e o tsunami que assolaram o Japão nos últimos dias terão feito até agora dez mil mortos e ainda milhares de desaparecidos.
Uma catástrofe nuclear parece estar próxima, após as explosões e os incêndios na central de Fukushima. Perante este terrível acontecimento de consequências devastadoras para o país, a população tem um comportamento que nos espanta e que, de alguma maneira, consideramos admirável.
As imagens que nos chegaram do sismo em Tóquio, filmadas com câmaras de telemóveis, mostravam pessoas estáticas perante a terra a abanar violentamente.
Num supermercado, algumas tentavam segurar nos produtos que caíam das prateleiras.
Num escritório, os funcionários estavam parados, à espera que aquilo passasse. Apesar do abalo muito forte, pareciam estar habituados a imprevistos.
Depois do sismo, não se viu pânico pelas ruas.
Uns estavam aliviados por terem sobrevivido.
Outros procuravam os nomes dos familiares nas listas de pessoas resgatadas e protegidas em abrigos.
Outros agradeciam por ainda terem a lua e as estrelas que brilhavam para ver à noite.
Ninguém pilhou a propriedade de ninguém.
Em vez do saque, os japoneses optaram pela ajuda mútua num momento difícil e de dor.
Se este comportamento é uma questão cultural, isto significa que mais ninguém pode ser assim? A conduta do povo japonês é exemplar ou esquisita?
(TEXTO DE Carla Quevedo, in Metro
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