Gestos pessoais contra a crise económica

As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de nosso tempo, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são por sua vez as alegrias e esperanças, tristezas e angústias dos discípulos de Cristo» (GS 1).



Os dados macroeconómicos não são de todo promissores. Estamos particularmente preocupados com a evolução da precariedade laboral, que continua a crescer, com tudo o que implica de sofrimento, insegurança e impotência para muitas famílias. Todos os dias nós acordamos com notícias perturbadoras (…).

Hoje queremos dar algumas pistas para ajudar as comunidades que servimos e para que alentem a esperança de todos perante um futuro fortemente angustiante. (…) Deus ouviu o clamor do povo oprimido no Egipto e nunca foi indiferente ao sofrimento dos pobres.



Propomos qautro atitudes básicas a adoptar, como crentes:

1. Combater a ignorância indesculpável como um serviço à verdade que liberta.
(…) Reconhecemos que temos vivido acima das nossas possibilidades. (…) O trabalho deve estar sempre acima do capital. O trabalho não é um meio de produção ou mais um recurso; nele está em jogo a dignidade da pessoa.
Causa-nos perplexidade o modo como os lucros são privatizados, e socializados prejuízos, em parte, branqueados com o dinheiro público. (…)

2. Devemos tomar partido pelas vítimas da crise. A solidariedade é uma virtude essencial para tanto elevar a moral numa sociedade individualista e materialista, como para garantir a sobrevivência das suas vítimas. Tomar partido supõe que nem tudo vale e não podemos manter atitudes que nos tornem menos credíveis, ou seja, fazer um pacto com as grandes empresas que financiam os nossos eventos e, necessariamente, baixar o tom das críticas, aceitando o dito: “Não podes morder a mão que te alimenta.” Austeridade, comunhão de bens, consumo responsável, o uso da banca ética, apoio material, apoio emocional e espiritual para com os desempregados, a oferta de espaços e momentos para encontros, para a festa, para a escuta da Palavra de Deus que sustenta a esperança, para a celebração da vida animada pelo Espírito, são algumas acções que podemos, baseados na justiça social e na Doutrina Social da Igreja.

3. Mostrar o rosto de uma Igreja Samaritana e amável, mas inflexível com a injustiça. Queremos ser uma igreja que conforta, que dá esperança e que denuncia a injustiça.
Para isso, fazemos do sofrimento do nosso próximo algo que nos desassossega e nos ocupa, tema das nossas reflexões, da nossa oração (…).
Apostamos em alternativas (valores do Evangelho) aos valores materialistas do capitalismo desenfreado (…).


4. Colaborar com os grupos/movimentos/iniciativas sociais que reivindicam os valores sociais (direitos humanos).

Fórum «Curas Madrid»
comisionpermanente@forocurasdemadrid.org
Adital


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